domingo, 27 de setembro de 2009

VOCABULÁRIO GAÚCHO

VOCABULÁRIO  GAÚCHO

Gauchês / Português )




GAUCHÊZ - PORTUGUÊS - (798 verbetes)


A palavra VOCABULÁRIO exprime uma apresentação escrita ou oral, de uma lista padronizada de vocábulos (palavrório), com suas respectivas definições; à seguir, eis o mais usado (sovado):


A - (62 verbetes)

ABAGUALADO – Semelhante a bagual.

ABAMBAÉ (Avambaé) – Lavoura de índio.

ABICHORNADO – Aborrecido, triste, desengonçado, desajeitado.

ACHEGO – Amparo, encosto, auxílio, proteção.

ACHICAR – Tornar pequeno.

AÇOITERA – Parte do açoite que serve para açoitar.

ACOIVARAR (Encoivarar) – Fazer coivara.

ACOLHERAR – Unir por colhera.

ADELGAÇAR – Reduzir o peso e a forma.

ADONDE – Em tal lugar.

AFEITADO – Enfeitado.

AGACHAR – Abaixar.

AGREGADO – Integrado.

AGUACHADO – Diz-se do cavalo que, por ter permanecido solto no campo durante longo período de tempo, está muito gordo, pesado, barrigudo, impróprio para o trabalho forçado imediato.

AJOUJO – Tira de couro cru que serve para unir bois cangados, pelo chifre.

ALAMBRADOR – Aquele que constrói alambrados (cercas de arame).

ALARIFE – Indivíduo calaveira.

ALCATRUZADO – Abichornado, aborrecido, triste, melancólico, abatido.

ALGIBEIRA – Acessório para guardar e transportar dinheiro no bolso.

ALMOFARIZ – Mini-pilão de mesa, cuja mão de bronze pesa 1 (um) Kg; serve para pilonar (socar ou moer) pimenta com alho e sal.

ALPARGATA – Calçado de lona com solado de sisal.

ALPEDO – à toa.

AMADRINHADOR – Protetor (padrinho) do domador (ginete).

AMANONCIAR (Amanuzear) – Amansar um eguariço.

ANTONCES – Deturpação de então.

APARTAR – Separar.

APEROS – Preparos necessários para a encilha.

APERREADO – Enfraquecido.

APESSOADO – Diz-se da pessoa de boa presença, de boa aparcência, vestida com elegância.

APLASTADO – Cansado, abatido, esmorecido, fatigado, desanimado.

APOJAR – Ato de deixar o terneiro mamar, para provocar a lactação.

APOJO – O leite mais gordo extraído após a segunda apojadura.

APORREADO – Mal domado.

APORRINHAR – Aborrecer, incomodar.

APOTRAR-SE – Tornar-se arredio por falta de costeio.

APRECATAR-SE – Acautelar-se.

AQUERENCIAR – Acostumar numa querência.

ARAGANO (Haragano) – Não dado ao trabalho.

ARATACA – Algo de má qualidade.

ARISCO – Xucro e assustado.

ARPISTA – Arisco, desconfiado.

ARREGLAR – Combinar.

ARREGLO – Ato de arreglar.

ARREIOS – Conjunto da encilha.

ARRIBA – Acima.

ARRINCONAR – Aquerenciado num rincão.

ARRISCAR – Aventurar.

ARROCINAR – Completar a doma.

ASPA – Chifre (guampa).

ASSOLEADO – Estragado do fôlego.

ATEMPADO – Adoentado.

ATIÇAR – Açular o cachorro contra alguém, ou contra algo.

ATILHO – Prendedor que ata.

ATOPETADO – Completamente cheio, lotado.

ATOSSICAR – Envenenar com conselhos, intrigar.

ATROPELAR – Investir.

ATUCANAR – Insistir.

AUNQUE – Embora, ainda que, conquanto.

AVEXADO – Contrafeito, aborrecido por algum incômodo.

AVEXAR - Molestar

AVIOS – Conjunto de mate (de pitar, de pescar, de laboratório, etc.).

AZULAR – Sumir, desaparecer.


B - (60 verbetes)

BABAUS – Acabou-se.

BADANA – Apero de sola para proteger os forros dos arreios.

BADULAQUE – Traste de pouca importância.

BAFAFÁ – Alarido, conversalhada desnecessária.

BAFOR – Exalação morna.

BAGUAL – Selvagem, xucro.

BAIANADA – Fiasco feito montado em eguariço.

BAITA – Enorme.

BAILANTEIRO – Quem promove baile.

BAILARINO (ou Dançarino) – Quem gosta de dançar em baile.

BAIXEIRO – Xergão (1º apero que se coloca no lombo puro do animal).

BALACA – Gabolice.

BALAIO (Raído) – Cesta grande.

BALDA – Mânha.

BANDEAR – Atravessar.

BANZÉ – Desordem.

BARBAQUÁ – Tipo de forno utilizado para secar erva-mate que recebe calor indireto.

BARBARIDADE – Barbarismo; interjeição que exprime espanto, admiração.

BARBELA – Corrente que une as gâmbas do freio.

BARBICACHO – Acessório do chapéu.

BASTEIRA – Parte inferior e acolchoada do arreio.

BASTO – Tipo de arreio.

BELENDENGUE – Milico de cavalaria.

BIRIVA (Biriba) – Nome dado aos habitantes gaúchos descendentes de italianos ou polacos que habitam em Cima da Serra.

BIBOCA – Lugar de difícil acesso.

BICANCA – Antiquado.

BICHARÁ – Poncho artesanal feito com lã tramada.

BIJUJA – Dinheiro.

BISCA – Pessoa ordinária.

BISPAR – Olhar, observar, perceber (como faz o bispo).

BOBOCA – Bobo, tolo, lacaio.

BOCALMENTE – Oralmente.

BOCHINCHO – Briga feia.

BODEGA – Estabelecimento comercial, pulperia.

BODOQUE – Estilingue.

BOIEIRA – Estrela d’alva.

BOIGUAÇÚ – Cobra grande.

BOITATÁ – O correto em guarany é M’boi tatá – Cobra de fogo.

BOLADA – Ocasião.

BOLAPÉ – Andar com dificuldade.

BOLEADEIRA – Apero indígena que serve para capturar bípedes (se for de duas pedras – ou, “nhanducera”) e para capturar quadrúpedes (se for de três pedras – ou “Três Maria”); a menor pedra denomina-se de “manicla”.

BOLÉIA – Lugar da carruagem que serve para apoiar os pés.

BOLICHO – Pequena bodega.

BOMBACHA – Calça-larga abotoada na canela do gaúcho – após 1870, veio do Paraguai – que lá chegou vindo das Arábias – que lá chegou vindo da Turquia – que lá chegou vindo do extremo oriente, ou do Japão (até hoje é usada pelos Samurais).

BOMBIAR – Espionar, espreitar.

BOMBIADOR – Aquele que bombeia.

BORREGO – Ovino de um ano.

BOTA – Calçado com cano (curto, médio ou longo), feito de couro.

BOTEJA – Garrafa.

BRAÇA – Medida do sistema sexagesimal; sendo linear é de 2,2m; sendo superficial é de “2,2m X uma légua (6.600m) = 14.520 m2”.

BRETE – Passagem estreita.

BROMA – Troça, gracejo, caçoada,, brincadeira.

BUÇAL – Primeiro apero do “preparo” da encilha.

BUENACHO – Muito bom.

BUENO – Bom.

BUENAÇO – Cavalheiro.

BUFAR – Rossiferar.

BUGIO – Guariba, primata sul-americano.

BULÉU – Queda.

BUTIÁ – Fruto do butiazeiro (palmeira pampeana).


C - (110 verbetes)

CAÁLO – Deturpação de cavalo.

CABANO – Diz-se do eguariço que tem as orelhas caídas.

CABEÇALHO – Peça centra da mesa da carreta pela qual ela é puxada,

CABORTEIRO – Animal manhoso e infiel, velhaco.

CABRESTO – Apero de couro cru que prende-se ao buçal (pela cedeira ou fiador).

CACIMBA – Fonte de água potável já devidamente preparada com tampa.

CAFUNDÓ – Lugar ermo e solitário.

CAGAÇO – Susto.

CAIAMBOLA – Mal vestido, como escravo fugitivo que se acoitava em quilombos.

CALIFÓRNIA – Carreira da qual participam mais de dois parelheiros; penca.

CALAVEIRA – Desonesto.

CAMANGA – Negócio escuso.

CAMBADA – Grupo de pessoas de má qualidade.

CAMBICHO – Apego ou paixão por uma china.

CAMBONA – Pava – recipiente que serve para aquecer líquidos.

CAMOTE – Namoro.

CAMPEAR – Procurar ou buscar no campo.

CAMPECHANO – Pertencente ou relativo ao campo.

CAMPEIRADA – Vários campeiros.

CAMPEIREADA – Incursão de campeiros pelo campo, observando o andamento da criação e a manutenção dos alambrados.

CAMPEIREAR – Trabalhar com o gado no campo.

CAMPEIRO – Vivente que monta bem e é hábil no serviço de campo.

CANDEEIRO (Candiero) – Lamparina rústica e improvisada).

CANDEIA – Lamparina primitiva.

CANDONGA – Aceno variado ou negada com a cabeça.

CANDONGUEIRA – Pessoa negadora de cabeça.

CANGA – Jugo de madeira que serve para cangar bestas (bois).

CANGALHA – Artefato de madeira (em forma de forquilha) que se coloca sobre o pescoço dos animais e que, serve para impedi-los de roceirar.

CANHADA – Vale, baixada entre coxilhas.

CANTAGALO – Diz-se de certa maneira pachola de atar a cola do cavalo.

CAPÃO – Tem dois sentidos: pode ser um bosque e também pode ser um animal beneficiado (sem os testículos).

CAPATAZ – Segunda autoridade de um estabelecimento rural (Estância, Fazenda ou Grânja), de uma Tropa ou de uma Charqueada.

CAPENGA – Indivíduo que tem uma das pernas mais curta. Coxo ou Rengo.

CAPONETE – Pequeno bosque.

CARAMURÚ – Alcunha dada aos imperialistas do lenço verde, na epopéia de 1835 / 45.

CARIJO – Denominação dada a um jirau de varas destinado à secagem da erva-mate.

CARIJÓ – Diz-se da ave pedrez.

CARPETEIRO – Jogador.

CARPIR – Capinar.

CARRAPATO – Parasita que agarra-se ao couro dos animais, para sugalos.

CARREIRA – Tem dois sentidos: andadura veloz dos eguariços e também pode ser competição de animais montados por jóqueis.

CARRETA – Veículo rústico e primitivo meio de transporte coletivo ou de cargas que chegou aqui no Pago Gaúcho, vindo dos romanos, mas que teve origem na Mesopotâmia.
Pode ser:
¼ de carreta ou “carretinha”, para 25 arrobas (375 Kg);
½ de carreta, para 50 arrobas (750 Kg);
¾ de carreta, para 75 arrobas (1.125 Kg);
1 carreta “inteira”, para 100 arrobas (1.500 Kg).

CATRE – Cama rústica improvisada com o “maneador” passado entre dois varões que unem dois pares de pés em “X”, sobre o que, coloca-se forros (pelegos).

CAUDILHO (Coronel honorário) – Chefe faccionário político de determinado reduto em uma querência.

CAÚNA – Erva-mate de má qualidade.

CAUSO – Conto, estória.

CENTAURO – Gaúcho antigo que peleava montado em eguariço.

CEPO – Pequena tora (preparada ou não), que serve de banco nos galpões-de-fogo.

CEVADURA – Porção necessária de erva-mate para cevar (preparar) um chimarrão.

CHAIRA – Apero que aço com cabo de madeira, osso ou chifre, que serve para amolar e assentar o fio de utensílios cortantes.

CHALANA – Lanchão chato.

CHANGA – Pequeno trabalho.

CHARLA – Conversa, palestra.

CHARQUE – Carne salgada e seca ao sol.

CHARQUEADA – Saladeiro (onde se preparava o charque).

CHARRUA – Um dos povos guaranys pertencentes à nação dos pampeanos.

CHASQUE – Carta ou bilhete.

CHASQUEADOR – Quem escreve manda o chasque (autor do chasque).

CHASQUEIRO – Quem leva o chasque (estafeta).

CHELPA – Dinheiro.

CHERETA – Intrometido.

CHIBARRO – Bode não castrado ou veado macho (ambos são fedorentos). Em sentido figurado, pessoa que exala mau cheiro das axilas.

CHICHO (ou Xixo) – Assado mixto; também se diz, de um baile de mistura de classes sociais.

CHICOCHOELHO – Rótula (osso) dos joelho dos bovinos.

CHICOLATEIRA – Pava ou recipiente (obra de funileiro) que serve para aquecer líquidos.

CHIMANGO – Ave rapinídea; alcunha dada em 1915, aos Borgistas (usuários do lenço branco com nó comum).

CHIMARRÃO (ou Ximarrão) – Infusão da erva-mate ximarrona – como em espanhol a pronúncia da letra “X” é a nossa do “C”, grafou-se cimarrona; e como em português a pronúncia da letra “X” é a nossa do “CH”, grafou-se chimarrão.

CHINA – Mulher mameluca (primeira companheira do gaúcho).

CHIRIPÁ (ou Xiripá) – Vestimenta improvisada do gaúcho tipo gaudério, campeiro, desgarroteador, coureador.

CHOURIÇO (ou Xouriço) – Tem dois sentidos: embutido (morcilha ou lingüiça) e também, pode ser a parte do rabicho (apero da encilha) que passa por baixo da cola dos eguariços.

CHULA – Dança masculina, constante de sapateios sobre uma lança.

CHUMBÉ – Pilcha que se enrola e amarra à cintura (cordão grosso ou uma faixa de 12 cm de largura por uns dois metros de comprimento).

CHURRASCO – Comida preferida do gaúcho.

CHUSPA (ou Xuspa) – Avio de pitar que serve para portar fumo picado; bolsinha feita da pele do papo da ema (ou de outro material).

CINCHA – Apero da encilha que serve para apertar os arreios.

CLINUDO – Animal não tosado, de clinas grandes; por extensão, aplica-se ao indivíduo gadelhudo (cabeludo).

COGOTE – Nuca.

COGOTUDO – Vivente de cogote grosso (grande).

COICE – Patada violenta de um anima. A 1ª junta de bois cangados.

COIMA – Valor de uma parada de jogo de osso (aposta).

COIMEIRO – O fiel depositário da coima (tem direito a um percentual, previamente ajustado).

COIVARA – Roça queimada.

COLMILHUDO – Diz-se do animal cavalar já velho, de "colmilhos" (dentes grandes do fundo da boca).

COMBUCA – Porongo com pequena abertura, utilizado para guardar objetos.

COMPARSA – Equipe – comparsa de esquila (pegador + maneador + desgarrador + esquilador + envelador + embolsador).

CONCHAVO – Ajuste vilipendioso; interesseiro; combinação entre duas ou mais pessoas.

CONGONHA (vocábulo tupí) - Erva-mate verdadeira, legítima e de boa qualidade. (Em guarany é chamada de CAÁ-YARI)..

CONSTIPAÇÃO – Início de gripe.

CORCOVEO – Pinote, pulo, movimento brusco que faz o eguariço, para lançar do seu lombo o ginete. .

CORDEOANA ou CORDIONA - Gaita primitiva de fole, com duas ileiras, podendo ser de colher ou de botão com 4, 8, 12, 24 ou de 48 baixos.

CORNO – Tem dois sentidos: pode ser marido de mulher que prevarica e também pode ser chifre ou aspa de besta.

COSCÓS (Coscoja) – Roseta de metal que se coloca no meio do bocal do freio campeiro, para fazer "bulha" (distrair o animal indócil).

COSTEADO – Diz-se do animal habituado em determinado lugar ou trabalho.

COTÓ – Indivíduo que tem um braço decepado ou mutilado.

COXILHA – Leves ondulações topográficas no terreno.

COXONILHO – Apero, espécie de forro dos arreios, feito de retalhos.

CRINUDO – Animal de crinas compridas ou grandes.

CRIOULO – Filho de origem estrangeira, nascido aqui. Pode ser filho de branco, de amarelo ou de preto, não importa a raça ou a cor.

CRUZADO – Mistura de mais de uma raça; também se diz de um cavalo calçado em diagonal.

CUCHARRA – Colher tosca, de madeira ou de chifre. Pealo atirado sem rebolar o laço (ou sovéu).

CUCUIA – Além do além.

CUIA – Cabaça para chimarrear (ou matear); em guarany caiguá.

CULATRA – Retaguarda.

CULEPE – Susto.

CULO – O contrário da SORTE no jogo da tava (osso).

CUMPLEANHOS (cumpleaños) – Aniversário, data natalícia.

CUSCO – Pequeno cachorro (o mesmo que guaipeca).

CUCUZ – Bolinhos de farinha de milho (de mandioca ou de arroz).

CUTUBA – Indivíduo possante, corpulento, forte e valente, extremamente respeitado não só pelo porte físico, mas também, pela coragem.

CUXINXINA – Mui longe, num ermo distante.


D - (32 verbetes)


DAGA (ou Adaga) – Faca grande com “S” para proteger a empunhadura.

DAR ALCE – Contemporizar, dar uma folga ao inimigo.

DEBOCHE – Troça, zombaria.

DEFUNTAR – Morrer.

DEFUNTEAR – Matar, assassinar.

DEGAS – Eu próprio (a minha pessoa).

DEGOLAR – Cortar parcialmente a garganta (as veias aorta) – não é o mesmo que decapitar (cortar a cabeça fora ou separar a cabeça do corpo).

DERREAR – Esmorecer, desanimar.

DESABOTINADO – Insensato, adoidado, estouvado.

DESAFORO – Insulto.

DESAGUACHAR – Exercitar novamente aquilo que já fazia, para buscar a perfeição.

DESAPONTE – Envergonhamento.

DESBOCADO – Que não sujeita a boca.

DESCAMBADA – Declive do outro lado da coxílha.

DESCANCHAR – Agredir.

DESCOGOTADO – Mau jeito no pescoço.

DESEMBESTAR – Disparar feito besta.

DESEMBUCHAR – Confessar segredos.

DESENCILHAR – Tirar os arreios do lombo do eguariço.

DESGARRONAR - Cortar o garrão ou jarrete do animal.

DESGRANIDO – Desgraçado.

DESGUARITADO – Desprotegido de guarita (a céu aberto).

DESPACITO – Vagarosamente.

DESPENCAR – Cair.

DESPILCHAR – Tirar as “pilchas” (vestimentas).

DESTORCIDO – Desembaraçado.

DEVERAS – É a mais pura verdade.

DIACHO – Diabo, capeta.

DOMA – Adestramento.

DOMADOR – Adestrador.

DOURADILHO – Pêlo de cavalo vermelho-claro amarelado, com reflexos dourados.

DURASNAL – Pessegueiral. Mato de pessegueiros abandonados, reduzidos ao estado silvestre.


E - (52 verbetes)

ÉGUA - Fêmea do cavalo.

EGUARIÇO – Espécies, tais como: eqüino, asinino e muar.

EGUARISSO – Cavalo que só acompanha égua.

EMALAR – Arrumar a mala.

EMARTILHAR – Engatilhar a arma.

EMBARRIGAR – Engravidar.

EMBODOCADO – Arqueado, oitavado e pronto para dar o bote e atacar.

EMBRETADA – Apertadura.

EMBROMA – Demora.

EMPACAR ¬– Não seguir adiante.

EMPACHADO – Barrigudo; já faz tempo que não defeca.

EMPEÇAR (ou Impessar) – Iniciar.

EMPELO – Montar no pêlo puro.

EMPERRAR – Não desenvolver.

ENCAMBICHAR – Viver com cambicho (em concubinato).

ENCANZINAR – Perseguir.

ENCARANGAR – Estar congelando.

ENCASQUETAR – Obstinar-se em realizar alguma coisa.

ENCASTIÇAR – Cruzar sub-raças diferentes; não é o mesmo que cruzar (consulte o verbete CRUZAR).

ENCILHA – São os aperos que vão sobre o lombo do eguariço, somente.

ENCORDUAR – Seguir um após o outro.

ENCOSTE – Se diz, quando um peão se amaseia com uma china, que arrumou um encoste.

ENFEZO – Um ato bem ativo.

ENFERRUSCADO – Da cor da ferrugem do ferro.

ENFRENAR – O ato de por o freio pela primeira vez – ou, quando se põe o freio no eguariço.

ENGAMBELAR – Fazer gambelas (guinadas para os lados).

ENGARUPAR – Montar na garupa (gurupa).

ENGAZOPAR – Quando se está meio tonto, meio ébrio.

ENQUINZINAR – Insistir.

ENRASCADA – Em apuros, em dificuldade.

ENTONADO – Soberbo, arrogante.

ENTREPELO – Dentre pêlos diferentes.

ENTREVERO – Mistura e confusão de pessoas, animais ou coisas.

ENTROPIGAITAR – Ficar em dúvida.

ENTREVISCADO – Meio embriagado.

ENVEREDAR – Seguir veredas.

ENVIDAR – Apostar.

ENZAMBUAÇÃO – Erupção cutânea.

ESBODEGADO – Estragado.

ESCANGALHAR – Estragar tudo.

ESCARCEAR – Levantar e baixar a cabeça fogosamente; não é o mesmo que candonguear.

ESCRAMUÇAR – Fazer escaramuças.

ESCORROPICHAR – Sorver o chimarrão até o fim, até o último gole.

ESFREGA – Exigência em demasia.

ESGUALEPADO – Desconjuntado externa e internamente.

ESPELOTEADO – Despido de bom siso.

ESQUILA – Ato de deslanar ovinos; no que tange a caprinos e caninos o termo é tosquia e no que respeita a aparar crina de eguariços o termo correto é tôso.

ESTÂNCIA – Grande estabelecimento rural (latifúndio) com uma área de 4.356 hectares (50 quadras de sesmaria) até 13.068 hectares (150 quadras de sesmaria), dividido em Fazendas e estas em invernadas.

ESTOURO – Dispersão de tropa em todas as direções.

ESTOUVADO – Desajeitado e bruto (anti-social).

ESTRABULEGA – Desleixado e perdulário.

ESTRUPÍCIO – Desastre.


F - (26 verbetes)

FANDANGO – Denominação genérica do Baile Gaúcho.

FAROLICE – Gabolice.

FARRAPOS – Alcunha pejorativa dada pelos imperialistas, aos rebeldes e revolucionários de 1835 / 45.

FARROMA – Fanfarronada, fanfarrice.

FARROUPILHA – Seguidor Farrapo.

FERVIDO – Prato da culinária gaúcha, criado pelos escravos de Estâncias e Fazendas.

FIAMBRE – Alimento já pronto para comer, que se leva em viagem.

FINCÃO – Mosquito, pernilongo.

FLANCO – Lado, costado.

FLECOS – Franjas do “Tirador” (pilcha de trabalho).

FLETE – Cavalo bom e ligeiro, de tiro longo.

FOGOSO – Disposto.

FOLHEIRO – Desembaraçado e livre.

FORROBODÓ – Bochincho, briga.

FREGE – Cabaré.

FRESCO – Pederasta, sodomita, “viado” (e não, veado).

FRONTISPÍCIO – A parte da frente.

FUCHICO – Intriga.

FUEIRO – Estaca lateral da mesa da carreta – fixada nas xedas que servem para escorar as cevas (se a carreta for cevada).

FULEIRO – Farrista.

FUNGUM – Feitiço, mandraco.

FURUNGAR – Insistir enfadonhamente a respeito de um determinado assunto.

FUSQUINHA – Careta, micagem cênica.

FUTRICO – Insinuação.

FUZARCA – Farra licenciosa.

FUZEL – À vontade, a lo largo.



G - (37 verbetes)


GACHO – Abaixado.

GADELHUDO – Cabeludo (com “cabeleira” - gadelha).

GAIATO – Cômico, palhaço.

GAJETA – Bolacha.

GAJO – Pessoa de pouca importância.

GALARDÃO – Distinção que se ostenta ou se exibe.

GALOPE – Tipo de andadura de velocidade média (nem rápida e nem ligeira – moderada) dos eguariços.

GALPÃO – Tipo de edificação que sucedeu o rancho no RGS; numa Estância ou numa Fazenda, abriga o alojamento da peonada solteira, os depósitos de rações, almoxarifados, apetrechos, aperos, galpão-do-fogo, etc.

GAMBETA – Movimento desordenado para os lados (do perseguido) numa corrida em fuga, para evitar a captura.

GANA – Desejo súbito, vontade.

GANZELÃO – Grande e desajeitado.

GARANHÃO – Eqüino destinado a reprodutor – cuiudo (culhudo).

GARIVANA – Mulher feia que gosta do marido das outras mulheres.

GARRAIO – Ordinário, ruim e de má qualidade.

GARREADO – Escasso.

GARRUCHA – Pistola de um tiro só e de carregar pela boca.

GARUPA – Anca.

GATEAR – Roubar.

GAÚCHO – Palavra de origem guarany, pois nessa língua não existe vocábulos com o som da letra “L”.
Os jesuítas inacianos (castellanos) chamaram o galo-novo e peleador, de GALUCHO (não era frango e nem galo-velho), ora, tirando a letra “L” daquele vocábulo – fica assim: GA_UCHO, com a pronúncia Gáutcho (em espanhol).
Depois, passou ao pejorativo, para designar mameluco que não sabia quem era o seu pai – nascido desde a Província da Pampa Austral ao sul de Buenos Aires (Argentina), até a divisa com o Estado de Stª Catarina (Brasil) e hoje é o gentílico dos natos da Pampa Continentina (acima localizada).
Portanto, não é vocábulo luso-brasileiro e nem exclusividade dos sul-rio-grandenses (nascidos no RGS).

GAUDÉRIO – Vivente aventureiro que chegou na Pampa, vindo do Brasil-central; não tinha profissão definida, nem morada certa e não se amarrava ao coração de uma só mulher – entretanto, era um bom sujeito (nem taura e nem maula), tornando-se um excelente campeiro, ginete, desgarroteador, coureador e por fim, charqueador – coletivamente, eram iguais aos índios vagos (que vagavam) daí vagabundos.

GAVIÃO – Arisco.

GENTAMA – Reunião de muita gente.

GENTALHA – Gente de classe inferior.

GINETE - Palavra de origem espanhola, que designava Aluno de equitação da “Escola de Gineta” (Espanha); no nosso “gauchêz” designa “vivente hábil cavaleiro”.

GOLPE – Tem dois sentidos: impulso brusco ou negócio fraudulento de alarife.

GOSNABA – Resto.

GRUNIR – Som ventríloquo de vivente que está encarangando de frio.

GUACHO – Animal órfão e criado sem mãe.

GUAIACA – Cinturão de gaúcho, com algibeiras.

GUAIPECA – Cãozinho ordinário.

GUAPO – Vivente forte e destemido.

GUARIBA – Primata sul-americano de pêlo alazão ou zaino; também designa pelegão tingido e forrado.

GUASCA – Tira de couro cru; também designa pênis de gaúcho, ou gaúcho rude e rústico.

GUENZO – Fora de prumo, de nível e de esquadro.

GUEXA – Vocábulo japonês que designa mulher nova e bonita, afeitada e de kimônio; designa também, pinguancha (china nova) - bem como, potranca (poldra).

GUINCHA – Potranca, poldra.

GURUPI – Pessoa que nos leilões, faz lances falsos e elevados, de combinação com o leiloeiro.


H - (5 verbetes)

HAEDO – Coxilhão lindo que separa bacias hidrográficas.

HARAGANO (ou Aragano) – Não dado ao serviço.

HARPISTE – Esperto.

HECHOR – Asno, jumento.

HERÉU – Herdeiro.


I - (13 verbetes)

ILHAPA – Junto à argola a parte mais forte do laço.

INHAPA – Aquilo que o vendedor dá de presente além do combinado.

INSTRUVENGA – Instrumento de pouco valor.

INTENDENTE – Prefeito.

INTÉ – Até.

INTICAR – Provocar.

INVERNADA – Subdivisão de uma Fazenda; designa também, departamento de um CTG (Entidade Tradicionalista).

INVITAR – Convidar.

IRATÍ – Ânus.

IRATIM – Variedade de abelhas silvestre, que produz mel doce no verão e amargo no inverno.

ISCA – Dois sentidos: engodo e mexa de isqueiro.

ISQUEIRO – Acendedor.

IXE – Interjeição que indica desdém, admiração ou ironia.


J - (3 verbetes)


JACÁ – Grande cesto, balaio ou raído.

JAGUANÉ – Pêlo de bovino que tem o fio do lombo e a barriga branco e os costados (lados) vermelho, baio ou preto.

JURURÚ – Triste, cabisbaixo, abatido e pensativo.



L - (22 verbetes)

LÁBIA – Habilidade na conversa.

LACAIO – Bobo, tolo, estulto.

LAÇAÇO – Pancada com corda; açoitada.

LAÇO – Apero (acessório) trançado de couro cru, composto de argola, ilhapa, corpo e presilha.

LAIA – Raça, espécie de gente de baixa categoria.

LAMBANÇA – Intriga, embrulhada, enredo.

LAMBÃO – Imundo, relaxado e maltrapilho.

LAMBEDOR – Adulão, bajulador.

LAMBUJA – Vantagem que se dá sem ter sido pedida ou solicitada.

LANÇANTE – Descida forte e acentuada.

LANGANHO – Lameiro imundo.

LASQUEADO – Bobalhão e cheio de estultícia.

LÁTEGO – Parte da cincha e também da sobre-cincha com a qual se dá o aperto aos arreios no lombo do eguariço.

LÉGUA – Medida do sistema sexagesimal.
Antiga medida itinerária, composta de 3.000 braças X 2,2m = 6.600 metros.

LENGA – Conversa vã.

LERDO – Lento e vagaroso.

LOBISOMEM – Fantasma mitológico e lendário (metade lobo e metade homem).

LOMBEIRA – Preguiça.

LOMBILHO – Espécie de arreio antigo.

LONCA – Couro (pele) de eguariço.

LOROTA – Mentira.

LUNANCO – Diz-se do quadrúpede que tem um costado traseiro mais baixo.


M - (61 verbetes)

MACACA – Gripe.

MACAIEIRO – Esperto que se faz passar por ruim, imprestável e deplorável; astuto.

MACANUDO – Indiscutivelmente superior e muito bom; louco de especial.

MAÇAROCA – Dois sentidos: nó enredado de cabelo ou crinas e ou intriga.

MADORMA – Sonolência.

MALEVA – Malfeitor, desalmado, mau e perverso.

MAMAO – Bêbado, embriagado.

MAMBIRA – Vivente mal pilchado e ou, que caminha mal.

MANADA – Coletivo de éguas.

MANCO – Quadrúpede que, ao dar o passo em frente, não consegue apoiar o remo (membro da frente) com desembaraço e perfeição.

MANDADO – Raio, corisco.

MANDALETE – Vivente incumbido de levar leite aos agregados do galpão (de manda letche); também, levar recados ou ordens aos peões.

MANGO – Espécie de açoite.

MANGRULHO – Baliza que indica algo (passagem, vau ou limite).

MANGUÁ – Apetrecho composto de duas peças de madeira, aculheradas por tento ou arame, que serve para debulhar grãos a manguasadas.

MANGUEAR – Ato de tanger, conduzir, repontar animais pelos flancos do lote.

MANGUEIRA – Grande curral.

MÂNHA – Choro, balda astuta.

MANICLA – A menor bola da boleadeira “Três Maria”.

MANÔJO – Novelo, feixe.

MANOSEAR – Ardilosamente (sabiamente) pegar com a mão.

MANOTAÇO – Pancada com a mão.

MANOTEADO – Roubado.

MARAGATEAR – Exercer atividade política de Maragato.

MARAGATO – Aficionado tradicionário e político, que ostenta o lenço colorado com o nó quadrado (quatro cantos ou rapadura); esse vocábulo, na origem designava ladrão de moça, de cavalo, de gado, etc.

MARMANJO – Adolescente grande e de pouca sabência.

MAROMBA – Duas tiras de couro cru com pêlos e torcida rusticamente, com mais ou menos uma braça (2,2 metros), de comprimento.

MARRÃO – Selvagem.

MARROTE – Porco pequeno (não é o leitão).

MARUCA – Apelido afetivo de “Maria”.

MATUNGO – Cavalo de pouca qualidade.

MATURRANGO – Vivente de pouca cultura.

MAULA – Vivente que não devemos recomendar.

MEDONHO - Que incute medo. Muito arteiro e muito feio.

MENEAR – Acenar com a cabeça.

MEQUETREFE – Vagabundo, indivíduo pequeno e pretensioso que gosta de se intrometer onde não é chamado.

MERMÁ – Abrandar, diminuir.

MESURA – Cortesia da nobreza que consiste em inclinar-se levemente levando a mão à TESTA (significando: por quem se estão meus pensamentos), à BOCA (significando: minhas palavras) e ao PEITO (significando: meu coração admirando ali naquele momento).

MICHE – Coisa insignificante.

MILICO – Vocábulo de origem espanhola, que significa: Militar.

MINUANO – Vento predominante frio e seco, que sopra do quadrante SW (Alegrete, Uruguaiana, Quaraí, Barra do Quaraí) - donde habitavam os nativos (índios) denominados Minuanos (por essa razão), que se tornaram hábeis campeiros (laçadores e boleadores).

MIRADA – Olhada.

MIÚDO – Menino, guri, piá.

MIXÓRDIA – Confusão intrigante.

MOCHO – Sem chifres.

MOCORONGO – Pessoa ingênua, sonolenta e pacata (tímido e acanhado); este vocábulo procede de uma tribo de nativos (índios denominados de Mocorongos) habitantes da redondeza da foz do rio Tapajós (onde localiza-se a cidade paraense de Santarém), aliás, esses silvícolas possuem tais características.
Arrematando, mocorongo é o gentílico do habitante de Santarém, entretanto lá, há uma corrente que prefere santareno.

MOCOTÓ – Prato típico da culinária gaúcha, criado pelos escravos.

MOFINO – Sovino, pão-duro, avarento.

MOGANGO – Fruto do mongangueiro, espécie de abóbora, que se come cozido com açúcar. Moranga – de poranga (bela, formosa); Ex.: Cunhã-poranga (mulher formosa).

MOIRÃO (Mourão) – Palanque de cerca; palavra de origem tupy-guarany, que significa: madeira.

MONJOLO – Engenho primitivo.

MORISQUETA – Careta.

MORMAÇO – Quentura de sol abrasador, geralmente após uma chuva de verão.

MOROTCHA – Moça nova e morena, rapariga.

MORUBIXABA – Nativo super líder (cacique, feiticeiro e pajé – ao mesmo tempo).

MUNAIA – Enorme e descomunal.

MUNDÉU – Ardil que serve para capturar pequenos animais.

MUNHATA – Batata doce.

MUNÍCIO – Algo que se leva para cozer ou assar e comer.

MURUNDÚ – Algo de grande monta, porém, sem grande valor.

MUXIBA – Pedante.


N - (5 verbetes)


NACO – Pedaço (de fumo em corda ou de carne).

NAMBÍ – Eguariço que tem uma, ou ambas as orelhas caídas.

NHANDÚ – Ema (a nossa avestruz) e todas as aves suras (sem rabo).

NICAR – Bater de leve.

NOVILHO – Vacum de pouca idade.



O - (7 verbetes)

ÔIGALE – Interjeição que exprime espanto ou admiração de pessoa.

ÔIGATE – Interjeição que exprime espanto ou admiração de coisa.

OLADA – Oportunidade de sorte.

ONTONTE – Antes de ontem.

OREAR – Secar ao sol e ao vento.

ORELHANO – Uns dizem ser o animal sem sinal na(s) orelha(s); a origem deste vocábulo é discutida - outros dizem ser proveniente do Pe. Cristóbal de Mendoza ORELLANO que reculutava gado bagual e não identificado, na Vacaria dos Pinhais.

OROPA – Europa.


P - (85 verbetes)

PAÇOCA – Mistura.

PAGO – Lugar em que se nasce, de origem – naturalidade.

PAISANO – Natural do mesmo país.

PAJADOR – Poeta e cantor de seus versos, geralmente feitos no repente e acompanhando-se de sua guitarra (violão).

PALA – Poncho leve de seda (para o verão), de algodão (para meia-estação) e de lã tramada ou bixará (para o inverno).

PALANQUE – Esteio grosso e forte, onde se amarram animais.

PALHEIRO – Cigarro feito de fumo-em-rama, cortado, picado, moído e enrolado em palha-de-milho.

PALMO – Medida do sistema sexagesimal: sendo linear é de 22 cm.; sendo superficial é de “22 cm X uma légua (6.600m) = 1.452m2”.

PAMPA – Descampados cobertos de vegetação rasteira onde a vista se estende ao longe; compreende desde a Província da Pampa Austral, ao sul de Buenos Aires (Argentina) até os limites do RGS com o Estado de Stª Catarina (Brasil).

PAMPEANO – Habitante da Pampa.

PANÇA – Ventre.

PANDULHO – Bucho.

PARADEIRO – Lugar onde os animais costumam parar.

PARILHEIRO – Cavalo que corre páreos.

PASMADO – Admirado.

PATACÃO – Moeda em prata, de 960 réis (1808 / 22), cunhada ao tempo de D. João VI.

PATAÇO – Pancada forte com pata.

PATACOADA – Gabolice, jactância, exibição.

PATRÃO – A maior autoridade de uma Estância, Fazenda ou CTG.

PATRONAGEM – Diretoria.

PEALAÇÃO – Ato de pealar

PEALADOR – O que peala, o que atira pealos, o encarregado de pealar nos serviços de campo.

PEALAR – Prender com o laço (ou sovéu) pelas mãos (patas dianteiras), o animal que está correndo, atirando o pealo que o derruba.

PEALO – Ato de arremessar o laço (ou sovéu) e por meio dele prender as patas do animal que está correndo e derrubá-lo. Existem muitos tipos de PEALO, entre os quais:

PEALO DE BOLQUEADA ou PEALO DE REBOLQUEADA (Borqueada ou Reborqueada é a mesma coisa). É aquele em que o pealador faz um movimento de torção do punho para a direita.

PEALO DE CUCHARRA – Que consiste em jogar o laço (ou sovéu) fazendo-se um rápido movimento de torção com o punho de modo que a armada se apresente na frente das mãos do animal a ser pealado; para esse tipo de PEALO não se costuma rebolar o laço (), ma sim jogá-lo de tirão, com armada sem rodilhas.

PEALO DE SOBRELOMBO – É aquele que se aplica arremessando o laço (ou sovéu) sobre o lombo do animal para que a armada, contornando-o, prenda-lhe as mãos pelo lado oposto ao em que se encontra o pealador. É muito usado para derrubar terneiro (bezerro).

PEÃO – Operário de estabelecimento rural ou associado de entidade tradicionalista.

PÉCORA – Moça namoradeira.

PEÇUELOS – Espécie de alforje duplo feito de couro, onde guarda-se pertences de estima.

PEDIGRI – Vocábulo saxônico (pedigree) que significa:  Apontamento genealógico dos animais.

PELEIA – Contenda, disputa, combate, luta, batalha.

PELINCHO – Restos de pêlos de animais, que ficam nos alambrados.

PÊLO – Pelagem (cor dos pêlos) de animais.

PÊLO-DURO – Indivíduo crioulo e genuinamente gaúcho.

PELOTA – Embarcação feita de couro.

PENCA – Carreira com mais de dois parilheiros.

PERAU – Precipício.

PERCANTA – Moça linda.

PEREBA – Ferida ou ferimento.

PIÁ – Guri.

PIAZINHO – Gurizinho.

PIAZITO – Adolescente.

PICANA – Aguilhada ou guilhada.

PICA-PAU – Pássaro de peito amarelo que faz ninho em nichos em pau furado com seu bico; também, é a alcunha dada aos imperialistas moderados, que usavam o lenço amarelo parecendo-se com tal pássaro, devido ao peito amarelado pelo lenço.

PICARDIA – Procedimento irônico.

PICHURUM – Mutirão.

PINGUANCHA – Pejorativo de moça jovem e vulgar.

PILA – Denominação dada à antiga moeda e “um mil réis”.

PILCHAS – Peças da indumentária (vestimenta) gaúcha de homem ou de mulher.

PILUNGO – Cavalo imprestável.

POTIGUASSÚ – Casa das viúvas e órfãos, edificada em cada um dos “Sete Povos”.

PINDAÍBA – Estar sem dinheiro.

PINGO – Afetivo de cavalo de estimação.

PINICAR – Esporear.

PINOTE – Corcovo, pulo.

PIOLA – Pedaço de corda.

PIQUETE – Pequeno agrupamento de pessoas; também designa um pequeno potreiro, onde pastam os potros.

PIQUIRÍ - Vocábulo guarany que denomina “pequeno rio, com grandes grãos de areia”.

PIRRALHO – Guri satisfeito.

PITAR – Fumar.

PITOCO – De rabo cortado.

PONCHO – Pilcha, espécie de capa sem abertura e de gola redonda que abriga do frio.

PORONGUDO – Diz-se de vivente (ou animal) relativamente bem desenvolvido com “exostose” (tumor ósseo que se desenvolve na superfície dos ossos, resultante de uma hipergênese local).

PORTEIRA – Espaço seccionado numa cerca.

POSTEIRO – Vivente zelador de uma invernada e que reside nela.

POTRANCA (ou Poldra) – Égua nova ainda não domada.

POTREIRO – Pequena invernada onde pastam potros, situado nas imediações de uma Fazenda ou Estância.

POTRILHO – Cavalo que ainda mama (até dois anos).

POTRO – Cavalo novo que ainda não levou lombilho.

POVARÉU – Multidão de pessoas.

POVINHO – Aldeia.

POVO – Vila, distrito.

POVOEIRO – Cidade.

PRENDA – Jóia, relíquia, presente (dádiva) de valor; em sentido figurado, é a moça gaúcha porque ela é jóia do gaúcho.

PRENDADO – Reinado de uma Prenda galardoada.

PREPAROS – Aperos de encilha usados na cabeça do eguariço, que servem para preparar a encilhada.

PRESILHA – Botão da mesma guasca, que serve para fixação.

PRISCO – Susto.

PRÓPRIO – Estafeta que leva algo a outrem.

PROSA (ou Charla) – Conversa ou conversador; proseador ou charlador.

PUA – Espora sem roseta.

PUTCHERO – Sopão de carne com legumes.

PULPERIA – Bodega; casa de comércio.

PURURUCA – Certo penteado com um manojo de cabelo na parte superior da cabeça.


Q - (12 verbetes)


QUADRA – Medida do sistema sexagesimal: sendo linear é de 60 braças X 2,2m = 132 m; sendo superficial é de “60 braças X 60 braças = 3.600 braças (132 X 132 = 17.424m2)”.

QUADRA-DE-SESMARIA – Medida do sistema sexagesimal: sendo de campo é de “60 braças X uma légua (132m X 6.600m = 87Ha e 1.200m2)”.

QUADRILHA – Lote de quatro eguariços do mesmo sexo e pêlo.

QUARTEADA – Ato de cambiar, de trocar.

QUERÊNCIA – Lugar onde se gosta de viver; se quer viver; lugar do bem-querer.

QUERENDÃO – Macho que está se apaixonando por uma fêmea.

QUIBEBE – Pirão de abóbora.

QUINCHA – Cobertura com santa-fé, macega ou folhas de palmeiras.

QUIRELA – Porfia.

QUIRERA – Grão de cereal quebrado.

QUITANDA - Guloseima salgada, feita e vendida no geral pela “quitandeira” (quem elabora).

QUITUTE – Guloseima doce, feita e vendida no geral pela “quituteira” (quem elabora).


R - (58 verbetes)

RABADA – Prato típico gaúcho, feito na base do rabo de vacum.

RABANADA – Movimento brusco que se volta para a direção contrária.

RABÃO – De rabo cortado ou aparado, pitoco (não é o mesmo que suro).

RABEAR – Mudar de direção.

RABICANO – Designa animais que tem pêlos escuros, entremeados com pêlos brancos ou claros.

RABICHO – Apero da encilha que é colocado por baixo do rabo dos eguariços.

RABO-DE-TATÚ – Espécie de açoite.

RABONAR – Cortar o rabo.

RAFUAGE – Gente de baixa categoria.

RAÍDO – Grande cesta (balaio).

RAMADA – Cobertura tosca de um girau com ramas, para sombreamento.

RANCHO – Primeira habitação erguida no Continente de São Pedro, edificada com material que abundava no local (leiva, torrão, pedra ou pau-a-pique e barreado), coberto com quincha; Veja-se o item 150 deste trabalho.

RASTRA – Espécie de cinto (sem algibeiras) – de origem castellana.

REALENGO – Sem dono – pertencente à coroa, ao Rei (por isso, também reiúno).

REBENQUE – Espécie de açoite.

REBOLEIRA – Touceira de arbustos e galhos arbóreos.

RECHUNCHUDO – Gordo e sã de lombo.

RECULUTAR – Ajuntar recolhendo.

RÉDEA – Apero de couro (torcido, trançado ou chato) preso às gambas do freio, que servem para governar os eguariços.

REDEIÚDO – Intempestivo por motivo das juntas grossas (exostose).

REDOMÃO – Eguariço que está sendo domado.

REFESTELADO – Assanhado.

REFILÃO – Raspão.

REFUGO – Aquilo de menor qualidade que difere dos demais.

REGALO – Presente, dedicatória.

REGEIRA – Apero torcido de couro cru, que preso às orelhas dos bois do coice, serve para reger (guiá-los) na direção desejada.

REINAÇO – Cio, regra menstrual; a fêmea se sente Rainha (daí, reina) e não deseja ser incomodada.

REIUNO – Pertencente ao Rei; à coroa.

RELANCINA – No repente.

RELHO – Espécie de açoite.

RELHADOR – Espécie de açoite exagerado.

RELINCHO – Som vocal dos eqüinos.

RELINCHÃO - Vivente que dá risadas fortes em alto e bom som.

REMATE – Leilão de animais.

RENGO – Quadrúpede coxo - (pessoa claudica).

REPECHO – Subida íngreme.

REPIQUE – Nova enchente logo após a anterior.

RÊS – Animal vacum.

RESMUNGAR – Descontentamento (ou insatisfação) manifestado com rosno.

RESSABIADO – Arisco, em conseqüência de haver sido mal tratado.

RESSONGO – Ruído semelhante com som de sapo, produzido no escorropichar o chimarrão (mate).

RESSOLANA – Lugar protegido e abrigado do vento, que se toma sol no inverno (bom para lagartear).

RESTINGA – Vegetação mixta na margens de vertentes.

RETACO – Vivente de pequena estatura, porém, entroncado e forte.

RETOÇAR – Se faceirar e brincar pulando.

RETOVO – Cobertura com (pintura, couro ou metal) por sobre um corpo.

RETRUCO – Contrariar.

RINCÃO – Lugar isolado em fundo de campo.

RINHA – Briga, rixa.

ROCINAR – Completar a doma.

RODADA – Queda do animal com o ginete (campeiro ou domador).

RODEIO – Reunião para cuido, que se faz do gado.

RODILHAS – Côlhas (voltas) do apero (laço, sovéu ou outra corda), que juntam-se na mão que não vai atirar no animal a ser capturado.

ROLO – Briga, conflito.

RONCOLHO – Animal mal castrado, que tem só um testículo.

RONDA – Ação de vigilância.

ROSETA – Peça circular (dentada ou pontiaguda) da espora.

RUSGAR – Provocar briga.


S - (43 verbetes)

SABUGO – A alma da espiga de milho.

SALADEIRO – Charqueada.

SALAMANCA – Caverna lendária localizada no Cerro do Jarau (Quaraí – RS).

SALSEIRO – Conflito, peleia de muitas pessoas – rixa.

SAMBURÁ – Pequeno balaio, para levar avios.

SAMPAR – Arremessar, atirar, lançar.

SANGA – Pequeno córrego, bossoroca.

SANGRADOURO – Local por onde se sangra um animal; parte da carneada.

SANTA-FÉ – Planta, cujas folhas possuem bordas cortantes e que servem de quincha, para cobertura de rancho.

SARANDEAR – Bailar em voltas à frente do par.

SARAQUÁ – Cavadeira rústica, de pau com longo cabo.

SARRABALHO – Baile campestre (variedade de Fandango).

SELIM – Sela própria para montaria feminina.

SERELEPE – Guri muito esperto e ágil.

SERENO – Orvalho.

SERIGAITA – Mulher conversadeira e trejeitosa.

SERIGOTE – Arreio de origem alemã (sehr gut – muito bom), usado pelos colonos dessa estirpe.

SESMARIA – Medida do sistema sexagesimal: sendo de superfície é de uma légua (6.600m) de frente - por três léguas (19.800m) de frente a fundo = 3 léguas quadradas (150 quadras de sesmaria ou 13.068 hectares).

SESMEIRO – Quem recebia a SESMARIA.

SESTEADA – Breve dormida para descanso após o almoço.

SETEMBRINA – Alcunha dada à cidade de Viamão - RGS, na época farroupilha.

SINA – Destino, sorte.

SINFRONAÇO – O mesmo que SOFRENAÇO.

SINUELO – Um ou mais animais mansos que servem de guia à tropa.

SOCAVÃO – Perau de difícil acesso.

SOFLAGRANTE – Momento e ocasião do flagrante.

SOFRENAÇO – Puxão forte com as rédeas.

SOGA – Corda de sisal.

SOLAVANCO – Baque de carruagem.

SOLITO – Só e isolado.

SORRO – Cachorro selvagem do banhado.

SOTA-CAPATAZ – 3ª autoridade de uma Estância, Fazenda ou CTG (entidade tradicionalista).

SOTRETA – Vivente tolo e covarde (vil e ruim), ordinário e velhaco.

SOVÉU – Apero (acessório) torcido de couro cru, peludo (não tem ilhapa), que serve para capturar quadrúpedes.

SULAPÃO – Covanca.

SUMANTA – Surra.

SUMIDOR – Tremedal, pântano.

SUPETÃO – De imediato.

SURO – Sem rabo.

SURUBA – Namoro indecente e escandaloso.

SURUMBÁTICO – Tristonho.

SURUNGO – Baile de baixa categoria.

SUVINO – Pão-duro, mofino, avarento.


T - (74 verbetes)


TABATINGA – Argila compacta, impermeável e imprópria para a agricultura.

TACO – Espécie de cacete.

TACURÚ – Cocuruto de terra.

TAFONEIRO – Animal que só vira para um lado.

TAITA – Vivente valentão, destemido e guapo.

TALA – Nervura principal de algo.

TALHA – Cota de 50 unidades, que se marca numa tarca.

TALHO – Ferimento produzido por objeto cortante.

TALUDO – Menino já crescido, adolescente.

TAMBEIRO – Novilho criado em tambo e já em fase de adestramento.

TAMBO – Estábulo onde se ordenham as vacas.

TAMOEIRO – Corda torcida de couro crua e peluda, que serve para unir o cambão à canga.

TANGOLOMANGO – Infelicidade.

TAPEAR – Executar algum serviço mal feito.

TAPEJARA – Vaqueana e conhecedora de uma região.

TAPERA – Habitação abandonada e deserta.

TAPITCHI – Cria não nascida (nonata).

TARCA – Apetrecho de marcar contas.

TARECO – Objeto que já perdeu a sua utilidade.

TARIMBA – Cama rústica; também designa experiência.

TARUGO – Pino de madeira que serve para fixar duas peças.

TASTAVEAR – Tropeçar e quase cair.

TÁTA – Pai.

TAURA – Vivente que se pode recomendar.

TAVA – O osso do jogo-do-osso.

TCHÊ – Vem do idioma guarany CHÊ, que significa amigo.

TEATINO – Pessoa ou animal sem eira e nem beira, mal trapilho, que vive em extrema pobreza; este vocábulo vem dos padres monásticos que faziam voto de pobreza, castidade e obediência –fundadores da Ordem Teatina.

TEBA – Vivente graúdo e valente, corajoso e destro.

TEMPRANO – Contemplando.

TENÊNCIA – Atenção.

TENTEAR – Aguardar.

TERERÊ – Chimarrão com água fria - mate paraguaio.

TERTÚLIA – Vocábulo de origem romana – trata-se das reuniões íntimas que o Imperador Tertuliano (de hábitos sodomitas) realizava nos porões do seu Palácio, para onde convidava seus “amigos íntimos” a banquetearem-se homenageando “baco” (deus do vinho), com bacanais de pederastia.
Hoje, erradamente, tradicionalistas desinformados aplicam a palavra TERTÚLIA, para designar reunião íntima, onde se cultiva a arte, a poesia, a trova e a música - isso deve ser denominado de PENHA Crioula.

TESO – Firme.

TIÇÃO – Pedaço de lenha que está ardendo no fogo, ou que já foi queimado em parte.

TIGÜERA – Grota fechada de arbustos e árvores,

TIMBA – Lugar de acesso perigoso.

TIMBÓ – Espécie de cipó venenoso; também designa mal súbito que provoca tontura e desmaio.

TINIDEIRA – Situação angustiosa pela falta de dinheiro.

TIRADOR – Avental de couro; pilcha exclusiva de serviço.

TIRÃO – Golpe brusco e repentino.

TIRIRICA – Planta sem serventia do banhado.

TOCADA – Corrida (de lebre por cachorro – e de parelheiro, para cronometrar o tempo).

TOCAIA – Emboscada, espreitada.

TOCAIO – Homônimo, xará.

TOLDERIA – Conjunto de habitações cobertas por toldas (barracas).

TOMBO – Queda.

TOPAR – Aceitar.

TOPETUDO – De topete elevado, garboso e valente.

TORUNO – Touro castrado.

TOSAR – Cortar ou aparar as crinas de eguariços.

TOSQUIAR – Deslanar caninos e caprinos .

TRABUCO – Antiga arma de fogo - revólver nagão (nagant) e revólver 44.

TRABUZANA – Destemido, valente, audaz e disposto.

TRAFUGUEIRO – Objeto estranho e cômico.

TRAGUEADO – Meio ébrio.

TRALHA – Aperos (correame) para atrelar eguariços em carros.

TRAMBOLHO – Algo exagerado e ineficaz.

TRAMPOSO – Intrometido e obstaculizador.

TRANCO – Andadura lenta dos eguariços.

TRONQUEIRA – Principal esteio de uma porteira.

TROPA – Coletivo de animais e militares.

TROTE – Andadura moderada dos eguariços.

TRADICIONALISTA – Adepto do tradicionalismo, sem um profundo conhecimento da “Tradição Gaúcha”.

TRADICIONÁRIO – Aquele que tem profundo conhecimento e vive a “Tradição Gaúcha”.

TRASTE – Objeto de uso pessoal.

TROVA – Espécie de desafio repentista, cantado e acompanhado musicalmente. Veja-se o item 185 deste trabalho.

TRUCO – Espécie de jogo de cartas, entre dois ou quatro parceiros.

TRUMBICO – Algo diminuto e insignificante.

TRUVISCADO – Quase bêbado.

TUBUNA – Variedade de abelhas silvestre que produz mel de má qualidade.

TUPAMBAÉ – Coisa de Deus (lavoura da comunidade).

TURUMBAMA – Tumulto de briga.

TUZINA – Sova, tunda, surra bem dada.


U - (3 verbetes)

URCO – Enorme, grande, belo e forte.

URUPUCA (Arapuca ou Aripuca) – Gaiola para capturar aves e pássaros.

USTED – Você - termo castellano.


V - (14 verbetes)

VACARIA – Grande quantidade de vacas – local, que no tempo dos 18 aldeamentos jesuítas, o gado missioneiro foi ocultado e se tornou bagual, após a preada do bandeirante Antônio Raposo Tavares (1636 / 41); hoje, cidade gaúcha.

VAQUEANO – Prático e conhecedor do lugar.

VAREJÃO – Vara grossa e comprida para trancar porteiras de vara.

VASCA – Essa pilcha é dos VASCOS e não é “tradicional” no RGS, mas sim “evolucional”. Chegou aos países platinos a partir da Guerra do Paraguai.

VELHACO – Inconfiável.

VELHACAR – Corcovear e dar pinotes.

VENTANA – Vivente de má reputação.

VERTENTE – Lugar de onde verte água.

VINCHA – Tira de couro, cinta transada ou fita larga de pano, com o que se fixa a melena ou a gadelha, para que não caia nos olhos e ou, para que o suor não prejudique a visão.

VIVARACHO – Vivente vivaz e esperto.

VIVENTE – Indivíduo, criatura, pessoa.

VIZINDÁRIO – Os vizinhos, a vizinhança em geral.

VOLTEADA – Ato de percorrer o campo trazendo alguns (ou todos) animais.

VOZERIO – Muitas vozes, rumores de vozes humanas.


X - (11 verbetes)


XALECO (ou Chaleco) – Pilcha semelhante a colete, porém, com gola e dois bolsos (ao invés de quatro).

XARÁ (ou Chará) – Tocaio.

XEPA – Comida.

XERENGA – Pequena faca ordinária.

XERETA - Conversador e intrometido.

XERGÃO – Baixeiro apero de encilha que se coloca no lombo puro do animal.

XIMBÉ – Animal (ou pessoa) de nariz chato.

XIRÚ – Vivente amigo e companheiro.

XOMICO – Interjeição que exprime desprezo apreensivo.

XUMBREGA – Algo de pouca importância.

XUCRO – Selvagem.


Z - (2 verbetes)

ZUNIR – Retinir.

ZURRAPA – Ordinário e de má qualidade.



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ARREMATE (epílogo)

Ao encerrar a porteira deste modesto e despretensioso trabalho, agradeço ao PAI CELESTE pela sabedoria que me foi dada e aos meus familiares pela força que me deram.

Sem mais delongas, aqui expresso o MUITO OBRIGADO.


OTÁVIO PEIXOTO DE MELO
O Maragato



F I M













2 comentários:

  1. Bem tri teu blog gostei porque sou de Pelotas Rs e nao conheço bem nosso gauches porque não me interessava por nossas tradiçoes e cultura,só de uns anos pra ca que me interressei,atraves da musica,mas ainda fico voando em algumas coisas.vlw

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