domingo, 27 de setembro de 2009

VOCABULÁRIO GAÚCHO

VOCABULÁRIO  GAÚCHO

Gauchês / Português )




GAUCHÊZ - PORTUGUÊS - (845 verbetes)


A palavra VOCABULÁRIO exprime uma apresentação escrita ou oral, de uma lista padronizada de vocábulos (palavrório), com suas respectivas definições; à seguir, eis o mais usado (sovado):


A   -   (65 verbetes)

ABAGUALADO – Semelhante a bagual.

ABAMBAÉ  (Avambaé) – Lavoura de índio.

ABICHORNADO – Aborrecido, triste, desengonçado, desajeitado.

ACALAMBRADO – Esse vocábulo vem do castelhano calambre, que quer dizer cãimbra, mas em Uruguaiana também se usa com significado de enfermo, ou abatido

ACHEGO – Amparo, encosto, auxílio, proteção.

ACHICAR – Tornar pequeno.

AÇOITERA – Parte do açoite que serve para açoitar.

ACOIVARAR (Encoivarar) ¬– Fazer coivara.

ACOLHERAR – Unir por colhera.

ACUBARDAR – Adoecer.

ADELGAÇAR – Reduzir o peso e a forma.

ADONDE – Em tal lugar.

AFEITADO – Enfeitado.

AGACHAR – Abaixar.

AGREGADO – Integrado.

AGUACHADO – Diz-se do cavalo que, por ter permanecido solto no campo durante longo período de tempo, está muito gordo, pesado, barrigudo, impróprio para o trabalho forçado imediato.

AJOUJO – Tira de couro cru que serve para unir bois cangados, pelo chifre.

ALAMBRADOR – Aquele que constrói alambrados (cercas de arame).

ALARIFE – Indivíduo calaveira.

ALCATRUZADO – Abichornado, aborrecido, triste, melancólico, abatido.

ALGIBEIRA – Acessório para guardar e transportar dinheiro no bolso.

ALMOFARIZ – Mini-pilão de mesa, cuja mão de bronze pesa 1 (um) Kg; serve para pilonar (socar ou moer) pimenta com alho e sal.

ALPARGATA – Calçado de lona com solado de sisal.

ALPEDO – à toa.

AMADRINHADOR – Protetor (padrinho) do domador (ginete).

AMANONCIAR (Amanuzear) – Amansar um eguariço.

ANTONCES – Deturpação de então.

APARTAR – Separar.

APEROS – Preparos necessários para a encilha.

APERREADO – Enfraquecido.

APESSOADO – Diz-se da pessoa de boa presença, de boa aparcência, vestida com elegância.

APETRECHOS – Equipamentos.

APLASTADO – Cansado, abatido, esmorecido, fatigado, desanimado.

APOJAR – Ato de deixar o terneiro mamar, para provocar a lactação.

APOJO – O leite mais gordo extraído após a segunda apojadura.

APORREADO – Mal domado.

APORRINHAR – Aborrecer, incomodar.

APOTRAR-SE – Tornar-se arredio por falta de costeio.

APRECATAR – Acautelar, preparar.

AQUERENCIAR – Acostumar numa querência.

ARAGANO (Haragano) – Não dado ao trabalho.

ARATACA – Algo de má qualidade.

ARISCO – Xucro e assustado.

ARPISTA – Arisco, desconfiado.

ARREDIU – Animal que não foi bem domado.

ARREGLAR – Combinar.

ARREGLO – Ato de arreglar.

ARREIOS – Conjunto da encilha.

ARRIBA – Acima.

ARRINCONAR – Aquerenciado num rincão.

ARRISCAR – Aventurar.

ARROCINAR – Completar a doma.

ASPA – Chifre (guampa).

ASSOLEADO – Estragado do fôlego.

ATEMPADO – Adoentado.

ATIÇAR – Açular o cachorro contra alguém, ou contra algo.

ATILHO – Prendedor que ata.

ATOPETADO – Completamente cheio, lotado.

ATOSSICAR – Envenenar com maus conselhos, intrigar.

ATROPELAR – Investir.

ATUCANAR – Insistir.

AUNQUE – Embora, ainda que, conquanto.

AVEXADO – Contrafeito, aborrecido por algum incômodo.

AVEXAR - Molestar

AVIOS – Apetrechos que formam o conjunto de matear ou chimarrear (de pitar, de pescar, de laboratório, etc.).

AZULAR – Sumir, desaparecer.


  -   (64 verbetes) 

BABAUS – Acabou-se.

BADANA – Apero de sola para proteger os forros dos arreios.

BADULAQUE – Traste de pouca importância.

BAFAFÁ – Alarido, conversalhada desnecessária.

BAFOR – Exalação morna.

BAGUAL – Selvagem, xucro.

BAGULHO – Pessoa de baixa categoria.

BAIANADA – Fiasco feito montado em eguariço.

BAITA – Enorme.

BAILANTEIRO – Quem promove baile.

BAILARINO (Dançarino) – Quem gosta de dançar em baile.

BAIXEIRO – Xergão (1º apero que se coloca no lombo puro do animal).

BALACA – Gabolice.

BALAIO (Raído) – Cesta grande.

BALAQUEIRO – Pessoa que gosta de se auto-elogiar.

BALDA – Mânha.

BANDEAR – Atravessar pra outra “banda” (lado, margem).

BANZÉ – Desordem.

BARBAQUÁ – Tipo de forno utilizado para secar erva-mate que recebe calor indireto.

BARBARIDADE – Barbarismo;  interjeição que exprime espanto, admiração.

BARBELA – Corrente que une as gâmbas do freio.

BARBICACHO – Acessório do chapéu.

BASTEIRA – Parte inferior e acolchoada do arreio.

BASTO – Tipo de arreio.

BELENDENGUE – Milico de cavalaria.

BIBOCA – Lugar de difícil acesso.

BICANCA – Antiquado.

BICHARÁ – Poncho artesanal feito com lã tramada.

BIJUJA – Dinheiro.

BIRIVA (Biriba) – Nome dado aos habitantes gaúchos descendentes de italianos ou polacos que habitam em Cima da Serra.

BISCA – Pessoa ordinária.

BISPAR – Olhar, observar, perceber (como faz o bispo).

BOBOCA – Bobo, tolo, lacaio.

BOCALMENTE – Oralmente.

BOCHINCHO – Briga feia.

BODEGA – Estabelecimento comercial, pulperia.

BODOQUE – Estilingue.

BOIEIRA – Estrela d’alva.

BOIGUAÇÚ – Cobra grande.

BOITATÁ – O correto em guarany é  M’boi tatá – Cobra de fogo.

BOLADA – Ocasião.

BOLAPÉ – Andar com dificuldade.

BOLEADEIRA – Apero indígena que serve para capturar bípedes (se for de duas pedras – ou, “nhanducera”)  e  para capturar quadrúpedes (se for de três pedras – ou  “Três Maria”);   a menor pedra denomina-se de  “manicla”. 

BOLÉIA – Lugar da carruagem que serve para apoiar os pés.

BOLICHO – Pequena bodega.

BOMBACHA –  Calça-larga abotoada na canela do gaúcho – após 1870, veio do Paraguai – que lá chegou vindo da Ibéria - que lá chegou vindo das Arábias – que lá chegou vindo da Turquia – que lá chegou vindo do extremo oriente, ou do Japão (até hoje é usada pelos Samurais).

BOMBIAR – Espionar, espreitar.

BOMBIADOR – Aquele que bombeia.

BORBOTÃO - Substantivo masculino.
1-    Agrupamento de pessoas ou coisas, grande quantidade de indivíduos, seres (pessoas, animais ou coisas).
2-    Multidão, aglomeração.

        BORBULHÃO - Jato forte e volumoso; caudal, jorro.
        1- Borbulhão de um olho-d'água.
        2- Saída impetuosa de fluido gasoso; rajada lufada, golfada.

        BORREGO – Ovino de um ano.

BOTA – Calçado com cano (curto, médio ou longo), feito de couro.

BOTEJA – Garrafa.

BRAÇA – Medida do sistema sexagesimal;  sendo linear é de 2,2m;  sendo superficial é de   “2,2m  por uma légua (6.600m)  =  14.520 m2”. 

BRETE – Passagem estreita.

BROMA – Troça, gracejo, caçoada, brincadeira.

BUÇAL – Primeiro apero do “preparo” da encilha.

BUENACHO – Muito bom.

        BUENAÇO – Cavalheiro.       

BUENO – Bom.

BUFAR – Rossiferar.

BUGIO – Guariba, primata sul-americano.

BULÉU – Queda.

BUTIÁ – Fruto do butiazeiro (palmeira pampeana).


C   -   (117 verbetes)

CAÁLO – Deturpação da palavra “cavalo”.

CABANO – Diz-se do eguariço que tem as orelhas caídas.

CABEÇALHO – Peça central da mesa da carreta pela qual ela é puxada.

CABORTEIRO – Animal manhoso e infiel, velhaco.

CABRESTO – Apero de couro cru que prende-se ao buçal (pela cedeira ou fiador).

CACIMBA – Fonte de água potável já devidamente preparada com tampa.

CAFUNDÓ – Lugar ermo e solitário.

CAGAÇO – Susto.

CAIAMBOLA – Mal vestido, como escravo fugitivo que se acoitava em quilombos.

CALIFÓRNIA – Carreira da qual participam mais de dois parelheiros;  penca.

CALAVEIRA – Desonesto.

CAMANGA – Negócio escuso.

CAMBADA – Grupo de pessoas de má qualidade.

CAMBICHO – Apego ou paixão por uma china, ou por um peão.

CAMBONA – Pava – recipiente que serve para aquecer líquidos.

CAMOTE – Namoro.

CAMPEAR – Procurar ou buscar no campo.

CAMPECHANO – Pertencente ou relativo ao campo.

CAMPEIRADA – Vários campeiros.

CAMPEIREADA – Incursão de campeiros pelo campo, observando o andamento da criação e a manutenção dos alambrados.

CAMPEIREAR – Trabalhar com o gado no campo.

CAMPEIRO – Vivente que monta bem e é hábil no serviço de campo.

CANDEEIRO (Candiero) – Lamparina rústica e improvisada.

CANDEIA – Lamparina primitiva.

CANDONGA – Aceno variado ou negada com a cabeça.

CANDONGUEIRA – Pessoa meneadora (agitador) da cabeça.

CANGA – Jugo de madeira que serve para cangar bestas (bois).

CANGALHA – Artefato de madeira (em forma de forquilha) que se coloca sobre o pescoço dos animais e que, serve para impedi-los de roçeirear.

CANHADA – Vale, baixada entre coxilhas.

CANTAGALO – Diz-se de certa maneira pachola de atar a cola  do cavalo, deixando-se pender do atado um penacho volteado em forma de rabo de galo.

CAPÃO – Tem dois sentidos:  pode ser um bosque e também pode ser um animal macho castrado (sem os testículos).

CAPATAZ – Segunda autoridade de um estabelecimento rural (Estância, Fazenda ou Grânja), de uma Tropa ou de uma Charqueada.

        CAPENGA – Indivíduo que tem uma das pernas mais curta. Coxo ou Rengo.

CAPONETE – Pequeno bosque.

CARAMURÚ – Alcunha dada aos imperialistas do lenço verde, na epopéia de 1835 / 45.
       
CARIJO – Denominação dada a um jirau de varas destinado à secagem da erva-mate.

CARIJÓ – Diz-se da ave pedrez.

CARPETA – Jogatina.

CARPETEIRO – Jogador.

CARPIR – Capinar.

CARRAPATO – Parasita que agarra-se ao couro dos animais, para sugalos.

CARREIRA – Tem dois sentidos:  andadura veloz dos eguariços e também pode ser competição de animais montados por jóqueis.

CARRETA – Veículo rústico e primitivo meio de transporte coletivo ou de cargas que chegou aqui no Pago Gaúcho, vindo dos romanos para a península Ibérica, tendo origem na Mesopotâmia.  
Pode ser: 
    ¼  de carreta  ou  “carretinha”,   para  25 arrobas  (375 Kg);
    ½  de carreta,  para  50 arrobas  (750 Kg);
    ¾  de carreta,  para  75 arrobas  (1.125 Kg);
1    carreta  “inteira”,  para  100 arrobas  (1.500 Kg).

CATATAU – Falatório.

CATRE – Cama rústica improvisada com o “maneador” passado entre dois varões que unem dois pares de pés em forma de “X”, sobre o que, coloca-se forros (pelegos).

CAUDILHO (Coronel honorário) – Chefe faccionário político de determinado reduto em uma querência.

CAÚNA – Erva-mate de má qualidade.

CAUSO – Conto, estória.

CENTAURO – Gaúcho antigo que peleava montado em eguariço.

CEPO – Pequena tora (preparada ou não), que serve de banco nos galpões-de-fogo.

CEVADURA – Porção necessária de erva-mate para cevar (preparar) um chimarrão.

CHAIRA – Apero em aço com cabo de madeira, osso ou chifre, que serve para amolar e assentar o fio de utensílios cortantes.

CHALANA – Lanchão chato.

CHANGA – Pequeno trabalho.

CHARLA – Conversa, palestra.

CHARQUE – Carne salgada e seca ao sol.

CHARQUEADA – Saladeiro (onde se preparava o charque).

CHARRUA – Um dos povos guaranys pertencentes à nação dos pampeanos.

CHASQUE – Carta ou bilhete.

CHASQUEADOR – Quem escreve manda o chasque (autor do chasque).

CHASQUEIRO – Quem leva o chasque (estafeta).

CHE (tchê é o som em espanhol) – Amigo.

CHELPA – Dinheiro.

CHERETA – Intrometido.

CHIBARRO – Bode não castrado ou veado macho (ambos são fedorentos). Em sentido figurado, pessoa que exala mau cheiro das axilas.

CHICHO (ou Xixo) – Assado mixto;  também se diz, de um baile de mistura de classes sociais.

CHICOCHOELHO – Rótula (osso) dos joelhos dos bovinos.

CHICOLATEIRA – Pava ou recipiente (obra de funileiro) que serve para aquecer líquidos.

CHIMANGO – Ave rapinídea;  alcunha dada em 1915, aos Borgistas (usuários do lenço branco com nó comum).

CHIMARRÃO (ou Ximarrão) – Infusão  da erva-mate ximarrona – como em espanhol a pronúncia da letra “X” é a nossa do “C”, grafou-se cimarrona;  e como em português a pronúncia da letra “X” é a nossa do “CH”, grafou-se chimarrão.
NOTA: Só é “chimarrão” se não tiver junto qualquer jujo (chá).

CHINA – Mulher mameluca (primeira companheira do gaúcho).

CHIRIPÁ (ou Xiripá) – Vestimenta improvisada do gaúcho tipo gaudério, campeiro, desgarroteador, coureador.

CHOURIÇO (ou Xouriço) – Tem dois sentidos:  embutido (morcilha ou lingüiça) e também, pode ser a parte do rabicho (apero da encilha) que passa por baixo da cola dos eguariços.

CHULA – Dança masculina, constante de sapateios sobre uma lança.

CHUMBÉ – Pilcha que se enrola e amarra à cintura (cordão grosso ou uma faixa de 12 cm de  largura por uns dois metros de comprimento).

CHURRASCO – Comida preferida do gaúcho.

CHUSPA (ou Xuspa) – Avio de pitar que serve para portar fumo picado;  bolsinha feita da pele do papo da ema (ou de outro material).

CINCHA – Apero da encilha que serve para apertar os arreios.

CLINUDO – Animal não tosado, de clinas grandes;  por extensão, aplica-se ao indivíduo gadelhudo (cabeludo).

COCHINCHINA – Mui longe, num ermo distante.  Cochinchina foi o nome dado à região no sul do atual Vietname, na Indochina. Inicialmente de localização imprecisa, foi assim nomeada pelos navegadores portugueses, que no século XVI aportaram no reino anamita localizado ao norte do reino de Champa.

COGOTE – Nuca.

COGOTUDO – Vivente de cogote grosso (grande).

COICE – Tem dois sentidos:  Patada violenta de um animal;  ou, a 1ª junta de bois cangados.

COIMA – Valor de uma parada de jogo de osso (aposta).

COIMEIRO – O fiel depositário da coima (tem direito a um percentual, previamente ajustado).

COIVARA – Roça queimada.

COLMILHUDO – Diz-se do animal cavalar já velho, de "colmilhos" (dentes grandes do fundo da boca).

COMBUCA – Porongo com pequena abertura, utilizado para guardar objetos.

COMPARSA – Equipe;  (Comparsa de esquila = pegador + maneador + desgarrador + esquilador + envelador + embolsador).

CONCHAVO – Ajuste vilipendioso;  interesseiro;  combinação entre duas ou mais pessoas.

CONGONHA (vocábulo tupí) - Erva-mate verdadeira, legítima e de boa qualidade. (Em guarany é chamada de CAÁ-YARI)..

CONSTIPAÇÃO – Início de gripe.

CORCOVEO – Pinote, pulo, movimento brusco que faz o eguariço, para lançar do seu lombo o ginete.  .

CORDEOANA ou CORDIONA - Gaita primitiva de fole, com duas ileiras, podendo ser de colher ou de botão com 4, 8, 12, 24 ou de 48 baixos.

CORNO – Tem dois sentidos:  pode ser marido de mulher que prevarica e também pode ser chifre ou aspa de besta.

COSCÓS (Coscoja) – Roseta de metal que se coloca no meio do bocal do freio campeiro, para fazer "bulha" (distrair o animal indócil).

COSTEADO – Diz-se do animal habituado em determinado lugar ou trabalho.

COTÓ – Indivíduo que tem um braço decepado ou mutilado.

COXILHA – Leves ondulações topográficas no terreno.

COXONILHO – Apero, espécie de forro dos arreios, feito de retalhos.

CRINUDO – Animal de crinas compridas ou grandes.

CRIOULO – Filho de origem estrangeira, nascido aqui. Pode ser filho de branco, de amarelo ou de preto, não importa a raça ou a cor.

CRUZADO – Mistura de mais de uma raça;  também se diz de um cavalo calçado em diagonal.

CUCHARRA – Colher tosca, de madeira ou de chifre. Pealo atirado sem rebolar o laço (ou sovéu).

CUCUIA – Além do além.

CUERA – Individuo rústico e forte.

CUERADA – Oportunidade ímpar.   

CUIA – Cabaça para chimarrear (ou matear);  em guarany  caiguá.

CULATRA – Retaguarda.

CULEPE – Susto.

CULO – O contrário da  SORTE  no jogo da tava (osso).

CUMPLEANHOS (cumpleaños) – Aniversário, data natalícia.

CURUMBA – Possante e rude.   

CUSCO – Pequeno cachorro  (o mesmo que guaipeca).

CUSCUZ – Bolinhos de farinha de milho  (de mandioca  ou  de  arroz).

CUTUBA – Indivíduo possante, corpulento, forte  e  valente, extremamente respeitado não só pelo porte físico, mas também, pela coragem.

CUXINXINA (ou COCHINCHINA) – Mui longe, num ermo distante. Cochinchina foi o nome dado à região no sul do atual Vietname, na Indochina. Inicialmente de localização imprecisa, foi assim nomeada pelos navegadores portugueses, que no século XVI aportaram no reino anamita localizado ao norte do reino de Champa.


  -   (34 verbetes)

DAGA (ou Adaga) – Faca grande com  “S”  para proteger a empunhadura.

DAR  ALÇA – Contemporizar, dar uma folga ao inimigo.

DEBOCHE – Troça, zombaria.

DEFUNTAR – Morrer.

DEFUNTEAR – Matar, assassinar.

DEGAS – Eu próprio  (a minha pessoa).

DEGOLAR – Cortar parcialmente a garganta (a veia aorta) – não é o mesmo que decapitar  (cortar a cabeça fora  ou  separar a cabeça do corpo).

DEJAHOJE – Passado recente.

DERREAR – Esmorecer, desanimar.

DESABOTINADO – Insensato, adoidado, estouvado.

DESAFORO – Insulto.

DESAGUACHAR – Exercitar novamente aquilo que já fazia, para buscar a perfeição.

DESAPONTE – Envergonhamento.

DESBOCADO – Que não sujeita a boca.

DESCAMBADA – Declive do outro lado da coxílha.

DESCANCHAR – Agredir.

DESCOGOTADO – Mau jeito no pescoço.

DESDÉM - Desprezo arrogante.

DESEMBESTAR – Disparar feito besta.

DESEMBUCHAR – Confessar segredos.

DESENCILHAR – Tirar os arreios do lombo do eguariço.

DESGARRONAR  - Cortar o garrão ou jarrete do animal.

DESGRANIDO – Desgraçado.

DESGUARITADO – Desprotegido de guarita  (a céu aberto).

DESPACITO – Vagarosamente.

DESPENCAR – Cair.

DESPILCHAR – Tirar as “pilchas” (vestimentas).

DESTORCIDO – Desembaraçado.

DEVERAS – É a mais pura verdade.

DIACHO – Diabo, capeta.

DOMA – Adestramento.

DOMADOR – Adestrador.

DOURADILHO – Pêlo de cavalo vermelho-claro amarelado, com reflexos  dourados.

DURASNAL – Pessegueiral. Mato de pessegueiros abandonados, reduzidos ao estado silvestre.


  -   (60 verbetes)

ÉGUA  - Fêmea do cavalo.

EGUARIÇO – Espécies, tais como:  eqüino, asinino e muar.

EGUARISSO – Cavalo que só acompanha égua.

EIRÚ – Daí vem a palavra XIRÚ = companheiro.

EITO – Porção ou área de lavoura sem medidas exatas que era proporcional  ao número de escravos escalados para cumprirem uma determinada tarefa naquela área.
Exemplo: Para 5 escravos executarem uma tarefa o eito era a metade do que era determinado para 10 escravos.

EMALAR – Arrumar a mala.

EMARTILHAR – Engatilhar a arma.

EMBARRIGAR – Engravidar.

EMBODOCADO – Arqueado, oitavado e pronto para dar o bote e atacar.

EMBRETADA – Apertadura.

EMBROMA – Demora.

EMPACAR ¬– Não seguir adiante.

EMPACHADO – Barrigudo;  já faz tempo que não defeca.

EMPEÇAR (ou Impessar) – Iniciar.

EMPELO – Montar no pêlo puro.

EMPERRAR – Não desenvolver.

ENCAMBICHAR – Viver com cambicho  (em concubinato).

ENCANZINAR – Perseguir.

ENCARANGAR – Estar congelando.

ENCARQUILHAR – Empenar, entortar, encanoar. 

ENCASQUETAR – Obstinar-se em realizar alguma coisa.

ENCASTIÇAR – Cruzar sub-raças diferentes;  não é o mesmo que cruzar (consulte o verbete  CRUZAR).

ENCILHA – São os aperos que vão sobre o lombo do eguariço, somente.

ENCORDUAR – Seguir um após o outro.

ENCOSTE – Se diz, quando um peão se amaseia com uma china, que arrumou um encoste.

ENFEZO – Um ato bem ativo.

ENFERRUSCADO – Da cor da ferrugem do ferro.

ENFRENAR – O ato de por o freio pela primeira vez – ou, quando se põe o freio no eguariço.

ENGAMBELAR – Fazer gambelas (guinadas para os lados).

ENGARUPAR – Montar na garupa (gurupa).

ENGAZOPAR – Quando se está meio tonto, meio ébrio.

ENQUINZINAR – Insistir.

ENRASCADA – Em apuros, em dificuldade.

ENTONADO – Soberbo, arrogante.

ENTREPELO – Dentre pêlos diferentes.

ENTREVERO – Mistura  e  confusão de pessoas,  animais  ou  coisas.

ENTROPIGAITADO – Atrapalhado.

ENTREVISCADO – Meio embriagado.

ENVEREDAR – Seguir veredas.

ENVIDAR – Apostar.

ENZAMBUAÇÃO – Erupção cutânea.

ESBODEGADO – Estragado.

ESBRUGAR – Derrubar um barranco.

ESBUGALHADO – Desmontado.

ESCALAVRADO -  Esfolado; Arruinado; Machucado.

ESCANGALHAR – Estragar tudo.

ESCARCEAR – Levantar e baixar a cabeça fogosamente;  não é o mesmo que candonguear.

ESCRAMUÇAR – Fazer escaramuças.

ESCORROPICHAR – Sorver o chimarrão até o fim, até o último gole.

ESFREGA – Exigência em demasia.

ESGUALEPADO – Desconjuntado externa e internamente.

ESPELOTEADO – Despido de bom siso.

ESQUILA – Ato de deslanar ovinos;  no que tange a caprinos e caninos o termo é tosquia  e  no que respeita a aparar crina de eguariços o termo correto é tôso.

ESTÂNCIA – Grande estabelecimento rural (latifúndio) com uma área de 4.356  hectares (50 quadras de sesmaria ou uma légua) até 13.068 hectares (150 quadras de sesmaria ou três léguas), dividida em Fazendas e estas em invernadas. 

ESTARDALHAÇO - Barulho exagerado;  gritaria para chamar atenção.

ESTOURO – Dispersão de tropa em todas as direções.

ESTOUVADO – Desajeitado e bruto  (anti-social).

ESTRABULEGA – Desleixado e perdulário.

ESTREPAR – Se dar mal; algo que deu errado;  surpreendido por um mau resultado. 

ESTRUPÍCIO – Desastre.


F   -   (28 verbetes)

FANDANGO – Denominação genérica do Baile Gaúcho.

FAROLICE – Gabolice.

FARRAPOS – Alcunha pejorativa dada pelos imperialistas, aos rebeldes e revolucionários de 1835 / 45.

FARROMA – Fanfarronada, fanfarrice.

FARROUPILHA – Seguidor Farrapo.

FASTIU – Falta de apetite.

FAZENDA – Estabelecimento rural com uma área entre 10 e 50 quadras de sesmaria de campo (ou 871 até 4.356 hectares), dividida em invernadas (cria, bois, vacas de invernar, etc.).

FERVIDO – Prato da culinária gaúcha, criado pelos escravos de Estâncias e Fazendas.

FIAMBRE – Alimento já pronto para comer, que se leva em viagem.

FINCÃO – Mosquito, pernilongo.

FLANCO – Lado, costado.

FLECOS – Franjas do “Tirador”  (pilcha de trabalho).

FLETE – Cavalo bom e ligeiro, de tiro longo.

FOGOSO – Disposto.

FOLHEIRO – Desembaraçado e livre.

FORROBODÓ – Bochincho, briga.

FREGE – Cabaré.

FRESCO – Pederasta, sodomita, “viado”  (e não, veado).

FRONTISPÍCIO – A parte da frente.

FUCHICO – Intriga.

FUEIRO – Estaca lateral da mesa da carreta – fixada nas xedas que servem para escorar as cevas (se a carreta for cevada).

FULEIRO – Farrista.

FUNGUM – Feitiço, mandraco.

FURUNGAR – Insistir enfadonhamente a respeito de um determinado assunto.

FUSQUINHA – Careta, micagem cênica.

FUTRICO – Insinuação.

FUZARCA – Farra licenciosa.

FUZEL – À vontade, a lo largo.


G   -   (37 verbetes)

GACHO – Abaixado.

GADELHUDO – Cabeludo (com  “cabeleira”  -  gadelha).

GAIATO – Cômico, palhaço.

GAJETA  – Bolacha.

GAJO – Pessoa de pouca importância.

GALARDÃO – Distinção que se ostenta ou se exibe.

GALOPE – Tipo de andadura de velocidade média (nem rápida e nem ligeira = moderada) dos eguariços.

GALPÃO – Tipo de edificação que com o rancho forma um conjunto habitacional no RGS;   numa Estância ou numa Fazenda, abriga o alojamento da peonada solteira, os depósitos de rações, almoxarifados, apetrechos, aperos, galpão-do-fogo, etc. 

GAMBETA – Movimento desordenado para os lados (do perseguido) numa corrida em fuga, para evitar a  captura.

GANA – Desejo súbito, vontade.

GANZELÃO – Grande e desajeitado.

GARANHÃO – Eqüino destinado a reprodutor – cuiudo (culhudo).

GARIVANA – Mulher feia que gosta do marido das outras mulheres.

GARRAIO – Ordinário, ruim e de má qualidade.

GARREADO – Escasso.

GARRUCHA – Pistola de um tiro só e de carregar pela boca.

GARUPA – Anca.

GATEAR – Roubar.

GAÚCHO – Palavra de origem guarany, pois nessa língua não existe vocábulos com o som da letra “L”. 
Os jesuítas inacianos (castellanos) chamaram o galo-novo e peleador, de GALUCHO (não era frango e nem galo-velho), ora, tirando a letra “L” daquele vocábulo – fica assim:  GA_UCHO, com a pronúncia Gáutcho (em espanhol).
Depois, passou ao pejorativo, para designar mameluco que não sabia quem era o seu pai – nascido desde a Província da Pampa Austral ao sul de Buenos Aires (Argentina),  até a divisa com o Estado de Stª Catarina (Brasil) e hoje é o gentílico dos natos da Pampa Continentina (acima localizada).
Portanto, não é vocábulo luso-brasileiro e nem exclusividade dos sul-rio-grandenses (nascidos no RGS).

GAUDÉRIO – Vivente aventureiro que chegou na Pampa, vindo do Brasil-central;  não tinha profissão definida, nem morada certa e não se amarrava ao coração de uma só mulher – entretanto, era um bom sujeito (nem taura e nem maula), tornando-se um excelente campeiro, ginete, desgarroteador, coureador e por fim, charqueador – coletivamente, eram iguais aos índios vagos (que vagavam) daí vagabundos.

GAVIÃO – Arisco.

GENTAMA – Reunião de muita gente.

GENTALHA – Gente de classe inferior.

GINETE  - Palavra de origem espanhola, que designava Aluno de equitação da  “Escola de Gineta”  (Espanha);  no nosso “gauchêz” designa  “vivente hábil cavaleiro”.

GOLPE – Tem dois sentidos:  impulso brusco ou negócio fraudulento de alarife.

GOSNABA – Resto.

GRUNIR – Som ventríloquo de vivente que está encarangando de frio.

GUACHO – Animal órfão e criado sem mãe.

GUAIACA – Cinturão de gaúcho, com algibeiras.

GUAIPECA – Cãozinho ordinário.

GUAPO – Vivente forte e destemido.

GUARIBA – Primata sul-americano (ou Bugio), de pêlo alazão ou zaino;  também designa pelegão tingido e forrado.

GUASCA – Tira de couro cru;  também designa pênis de gaúcho,  ou gaúcho rude e rústico.

GUENZO – Fora de prumo, de nível e de esquadro.

GUEXA – Vocábulo japonês que designa mulher nova e bonita, afeitada e de kimônio;  designa também,  pinguancha (china nova) - bem como, potranca (poldra).

GUINCHA – Arcaico de GUEXA (japonês) - Potranca, poldra.

GURUPI – Pessoa que nos leilões, faz lances falsos e elevados, de combinação com o leiloeiro.


  -   (5 verbetes)

 HAEDO – Coxilhão lindo que separa bacias hidrográficas.

HARAGANO (ou Aragano) – Não dado ao serviço.
       
HARPISTE – Esperto.

HECHOR – Asno, jumento.

HERÉU – Herdeiro.


  -   (15 verbetes)

 ILHAPA – Junto à argola a parte mais forte do laço.

 INCAFIFAR – Obstinar-se em fazer algo.

INCUCAR – Obstinar-se em lembrar algo.

INHAPA – Aquilo que o vendedor dá de presente além do combinado.

INSTRUVENGA – Instrumento de pouco valor.

INTENDENTE – Prefeito.

INTÉ – Até.

INTICAR – Provocar.

INVERNADA – Subdivisão de uma Fazenda;  designa também, departamento de um CTG (Entidade Tradicionalista).

INVITAR – Convidar.

IRATÍ – Ânus.

IRATIM – Variedade de abelhas silvestre, que produz mel doce no verão e amargo no inverno.

ISCA – Dois sentidos:  engodo  e  mexa de isqueiro.

ISQUEIRO – Acendedor.

IXE – Interjeição que indica desdém, admiração ou ironia.


  -   (3 verbetes)

JACÁ – Grande cesto, balaio ou raído.

JAGUANÉ – Pêlo de bovino que tem o fio do lombo e a barriga branco e os costados (lados) vermelho, baio ou preto.

JURURÚ – Triste, cabisbaixo, abatido e pensativo.
      

L   -  (22 verbetes)

LÁBIA – Habilidade na conversa.

LACAIO – Bobo, tolo, estulto.

LAÇAÇO – Pancada com corda;  açoitada.

LAÇO – Apero (acessório) trançado de couro cru, composto de argola, ilhapa, corpo e presilha.

LAIA – Raça, espécie de gente de baixa categoria.

LAMBANÇA – Intriga, embrulhada, enredo.

LAMBÃO – Imundo, relaxado e maltrapilho.

LAMBEDOR – Adulão, bajulador.

LAMBUJA – Vantagem que se dá sem ter sido pedida ou solicitada.

LANÇANTE – Descida forte e acentuada.

LANGANHO – Lameiro imundo.

LASQUEADO – Bobalhão e cheio de estultícia.

LÁTEGO – Parte da cincha e também da sobre-cincha com a qual se dá o aperto aos arreios no lombo do eguariço.

LÉGUA – Medida do sistema sexagesimal. 
Antiga medida itinerária, composta de 3.000 braças  X  2,2m  =  6.600 metros.

LENGA – Conversa vã.

LERDO – Lento e vagaroso.

LOBISOMEM – Fantasma mitológico e lendário (metade lobo e metade homem).

LOMBEIRA – Preguiça.

LOMBILHO – Espécie de arreio antigo.

LONCA – Couro (pele) de eguariço.

LOROTA – Mentira.

LUNANCO – Diz-se do quadrúpede que tem um costado  traseiro mais baixo.


  -   (65 verbetes)
   
MACACA – Gripe.

MACAIEIRO – Esperto que se faz passar por ruim, imprestável e deplorável;  astuto.

MACANUDO – Indiscutivelmente superior e muito bom;  louco de especial.

MAÇAROCA – Dois sentidos:  nó enredado de cabelo ou crinas e ou intriga.

MADORMA – Sonolência.

MAGAFENTO – Sem importância.

MALEVA – Malfeitor, desalmado, mau e perverso.

MAMAO – Bêbado, embriagado.

MAMBIRA – Vivente mal pilchado e ou, que caminha mal.

MANADA – Coletivo de éguas (de cavalos, é TROPILHA).

MANCO – Quadrúpede que, ao dar o passo em frente, não consegue apoiar o remo (membro da frente) com desembaraço e perfeição.

MANDADO – Raio, corisco.

MANDALETE – Vivente incumbido de levar leite aos agregados do galpão (de  manda letche);  também, levar recados ou ordens aos peões.

MANGO – Espécie de açoite.

MANGRULHO – Baliza que indica algo (passagem, vau ou limite).

MANGUÁ – Apetrecho composto de duas peças de madeira, aculheradas por tento ou arame, que serve para debulhar grãos a manguasadas.

MANGUEAR – Ato de tanger, conduzir, repontar animais pelos flancos do lote.

MANGUEIRA – Grande curral.

MÂNHA – Choro, balda astuta.

MANICLA – A menor bola da boleadeira  “Três Maria”.

MANÔJO – Novelo, feixe.

MANOSEAR – Ardilosamente (sabiamente) pegar com a mão.

MANOTAÇO – Pancada com a mão.

MANOTEADO – Roubado.

MARAGATEAR – Exercer atividade política de Maragato.

MARAGATO – Aficionado tradicionário e político, que ostenta o lenço colorado com o nó quadrado (quatro cantos ou rapadura);  esse vocábulo, na origem designava ladrão de moça, de cavalo, de gado, etc.

MARMANJO – Adolescente grande e de pouca sabência.

MAROMBA – Duas tiras de couro cru com pêlos e torcida rusticamente, com mais ou menos uma braça (2,2 metros), de comprimento.

MARRÃO – Selvagem.

MARROTE – Porco pequeno (não é o leitão).

MARUCA – Apelido afetivo de “Maria”.

MASTRUCO – Grosso, sem educação.

MATE – Só é mate se tiver algum jujo (chá) junto com a erva.

MATUNGO – Cavalo de pouca qualidade.

MATURRANGO – Vivente de pouca cultura.

MATUTAR – Pensar.

MAULA – Vivente que não devemos recomendar.

MEDONHO  -  Que incute medo.  Muito arteiro e muito feio.

MENEAR – Acenar com a cabeça.

MEQUETREFE – Vagabundo, indivíduo pequeno, insignificante e pretensioso que gosta de se intrometer onde não é chamado.

MERMÁ – Abrandar, diminuir.

MESURA – Cortesia da nobreza que consiste em inclinar-se levemente levando a mão à TESTA  (significando:  por quem se estão meus pensamentos),  à BOCA  (significando:  minhas palavras)  e  ao  PEITO   (significando:  meu coração admirando ali naquele momento).

MICHE – Coisa insignificante.

MILICO – Vocábulo de origem espanhola, que significa:  Militar.

MINUANO – Vento predominante frio e seco, que sopra do quadrante SW  (Alegrete, Uruguaiana, Quaraí, Barra do Quaraí) -  donde habitavam os nativos (índios) denominados Minuanos  (por essa razão), que se tornaram hábeis campeiros (laçadores e boleadores).

MIRADA – Olhada.

MIÚDO – Menino, guri, piá.

MIXÓRDIA – Confusão intrigante.

MOCHO – Sem chifres.

MOCORONGO – Pessoa ingênua, sonolenta e pacata (tímido e acanhado);  este vocábulo procede de uma tribo de nativos (índios denominados de Mocorongos)  habitantes da redondeza da foz do rio Tapajós (onde localiza-se a cidade paraense de Santarém), aliás, esses silvícolas possuem tais características.
    Arrematando, mocorongo é o gentílico do habitante de Santarém-PA, entretanto lá, há uma corrente que prefere santareno.

MOCOTÓ – Prato típico da culinária gaúcha, criado pelos escravos.

MOFINO – Sovino, pão-duro, avarento.

MOGANGO – Fruto do mongangueiro, espécie de abóbora, que se come cozido com açúcar.   Moranga – de poranga (bela, formosa);  Ex.:  Cunhã-poranga  (mulher formosa).

MOIRÃO – Palanque de cerca;  palavra de origem tupy-guarany, que significa:  madeira.

MONJOLO – Engenho primitivo.

MORISQUETA – Careta.

MORMAÇO – Quentura de sol abrasador, geralmente após uma chuva de verão.

MOROTCHA – Moça nova e morena, rapariga.

MORUBIXABA – Nativo super líder (cacique, feiticeiro e pajé – ao mesmo tempo).

MUNAIA – Enorme e descomunal.

MUNDÉU – Ardil que serve para capturar pequenos animais.

MUNHATA – Batata doce.

MUNÍCIO – Algo que se leva para cozer ou assar e comer.

MURUNDÚ – Algo de grande monta, porém, sem grande valor.

MUXIBA – Pedante.


  -   (5 verbetes)

NACO – Pedaço  (de fumo em corda  ou  de carne).

NAMBÍ – Eguariço que tem uma, ou ambas as orelhas caídas.

NHANDÚ – Ema (a nossa avestruz)  e todas as aves suras (sem rabo).

NICAR – Bater de leve.

NOVILHO – Vacum de pouca idade.


O   -   (7 verbetes)

ÔIGALE – Interjeição que exprime espanto ou admiração de pessoa.

ÔIGATE – Interjeição que exprime espanto ou admiração de coisa.

OLADA – Oportunidade de sorte.

ONTONTE – Antes de ontem.

OREAR – Secar ao sol e ao vento.

ORELHANO – Uns dizem ser o animal sem sinal na(s) orelha(s);  a origem deste vocábulo é discutida - outros dizem ser proveniente do Pe. Cristóbal de Mendoza ORELLANO  que reculutava gado bagual e não identificado,  na  Vacaria dos Pinhais.

OROPA – Europa.



P   -   (84 verbetes)

PAÇOCA – Mistura.

PAGO – Lugar em que se nasce, de origem – naturalidade.

PAISANO – Natural do mesmo país.

PAJADOR – Poeta e cantor de seus versos, geralmente feitos no repente e acompanhando-se de sua guitarra (violão).

PALA – Poncho leve  de seda (para o verão), de algodão (para meia-estação)  e de lã tramada ou bixará (para o inverno).

PALANQUE – Esteio grosso e forte, onde se amarram animais.

PALHEIRO – Cigarro feito de fumo-em-rama, cortado, picado, moído e enrolado em palha-de-milho.

PALMO – Medida do sistema sexagesimal:  sendo linear é de  22 cm.;  sendo superficial é de  “22 cm  X  uma légua (6.600m)  =  1.452m2”.

PAMPA – Descampados cobertos de vegetação rasteira onde a vista se estende ao longe;  compreende desde a Província da Pampa Austral, ao sul de Buenos Aires (Argentina)  até os limites do RGS com o Estado de Stª Catarina (Brasil).

PAMPEANO – Habitante da Pampa.

PANÇA – Ventre.

PANDULHO – Bucho.

PARADEIRO – Lugar onde os animais costumam parar.

PARILHEIRO – Cavalo que corre páreos.

PASMADO – Admirado.

PATACÃO – Moeda em prata, de 960 réis (1808 / 22), cunhada ao tempo de D. João VI.

PATAÇO – Pancada forte com  pata.

PATACOADA – Gabolice, jactância, exibição.

PATRÃO – A maior autoridade de uma Estância, Fazenda ou CTG.

PATRONAGEM – Diretoria.

PEALAÇÃO – Ato de pealar

PEALADOR – O que peala, o que atira pealos, o encarregado de pealar nos serviços de campo.

PEALAR – Prender com o laço (ou sovéu) pelas mãos (patas dianteiras), o animal que está correndo, atirando o pealo que o derruba.

PEALO – Ato de arremessar o laço (ou sovéu) e por meio dele  prender as patas do animal que está correndo e derrubá-lo. Existem muitos tipos de PEALO, entre os quais:
PEALO DE BOLQUEADA ou PEALO DE REBOLQUEADA (Borqueada ou Reborqueada é a mesma coisa). É aquele em que o pealador faz um movimento de torção do punho para a direita.
PEALO DE CUCHARRA – Que consiste em jogar  o laço (ou sovéu) fazendo-se um rápido movimento de torção com o punho de modo que a armada se apresente na frente das mãos do animal a ser pealado; para esse tipo de PEALO não se costuma rebolar o laço (), mas sim jogá-lo de tirão, com armada sem rodilhas.
PEALO DE SOBRELOMBO – É aquele que se aplica arremessando o laço (ou sovéu) sobre o lombo do animal para que a armada, contornando-o, prenda-lhe as mãos pelo lado oposto ao em que se encontra o pealador. É muito usado para derrubar terneiro (bezerro).

PEÃO – Operário de estabelecimento rural ou associado de entidade tradicionalista.

PECHADA – Esse vocábulo vem do espanhol PECHO (que em português se         diz PEITO);  pechada = peitada.

PÉCORA – Moça namoradeira.

PEÇUELOS – Espécie de alforje duplo feito de couro, onde guarda-se pertences de estima.

PEDIGRI – Vocábulo saxônico (pedigree) que significa:       
Apontamento genealógico dos animais.

PELEIA – Contenda, disputa, combate, luta, batalha.

PELINCHO – Restos de pêlos de animais, que ficam nos alambrados.

PÊLO – Pelagem (cor dos pêlos) de animais.

PÊLO-DURO – Indivíduo crioulo e genuinamente gaúcho.

PELOTA – Embarcação feita de couro.

PENCA – Carreira com mais de dois parilheiros.

PENHA - Reunião íntima, onde se cultiva a arte, a poesia, a trova e a         música nativa e crioula.

PERAU – Precipício.

PERCANTA – Moça linda.

PEREBA – Ferida ou ferimento.

PIÁ – Guri.

PIAZINHO – Gurizinho.

PIAZITO – Adolescente.

PICANA – Aguilhada ou guilhada.

PICA-PAU – Pássaro de peito amarelo que faz ninho em nichos em pau furado com seu bico;  também, é a alcunha dada aos imperialistas moderados, que usavam o lenço amarelo parecendo-se com tal pássaro, devido ao peito amarelado pelo lenço.

PICARDIA – Procedimento irônico.

PICHURUM – Mutirão.

PINGUANCHA – Pejorativo de moça jovem e vulgar.

PILA – Denominação dada à antiga moeda de “um mil réis”.

PILCHAS – Peças da indumentária (vestimenta) gaúcha de homem ou de mulher.

PILUNGO – Cavalo imprestável.

PINDAÍBA – Estar sem dinheiro.

PINGO – Afetivo de cavalo de estimação.

PINICAR – Esporear.

PINOTE – Corcovo, pulo.

PIOLA – Pedaço de corda.

PIQUETE – Pequeno agrupamento de pessoas;  também designa um pequeno potreiro, onde pastam os potros.

PIQUIRÍ  - Vocábulo guarany que denomina  “pequeno rio, com grandes grãos de areia”.

PIRRALHO – Guri satisfeito.

PITAR – Fumar.

PITOCO – De rabo cortado.

PONCHO – Pilcha, espécie de capa sem abertura e de gola redonda que abriga do frio.

PORONGUDO – Diz-se de vivente (ou animal) relativamente bem desenvolvido com “exostose” (tumor ósseo que se desenvolve na superfície dos ossos, resultante de uma hipergênese local).

PORTEIRA – Espaço seccionado numa cerca.

POSTEIRO – Vivente zelador de uma invernada e que reside nela.

POTIGUASSÚ – Casa das viúvas e órfãos, edificada em cada um dos  “Sete Povos”.

POTRANCA (ou Poldra) – Égua nova ainda não domada.

POTREIRO – Pequena invernada onde pastam potros, situado nas imediações de uma Fazenda ou Estância.

POTRILHO – Cavalo que ainda mama (até dois anos).

POTRO – Cavalo novo que ainda não levou lombilho.

POVARÉU – Multidão de pessoas.

POVINHO – Aldeia.

POVO – Vila, distrito.

POVOEIRO – Cidade.

PRENDA – Jóia, relíquia, presente (dádiva) de valor;  em sentido figurado, é a moça gaúcha porque ela é jóia do gaúcho.

PRENDADO – Reinado de uma Prenda galardoada.

PREPAROS – Aperos de encilha usados na cabeça do eguariço e servem para LHE preparar à encilhada.

PRESILHA – Botão da mesma guasca, que serve para fixação.

PRISCO – Susto.

PRÓPRIO – Estafeta que leva algo a outrem.

PROSA (ou Charla) – Conversa ou conversador;  proseador ou charlador.

PUA – Espora sem roseta.

PULPERIA – Bodega;  casa de comércio.

PUTCHERO – Sopão de carne com legumes.

PURURUCA – Certo penteado feminino com um manojo de cabelo torcido e amarrado na parte superior da cabeça.


   -   (13 verbetes)

QUADRA – Medida de comprimento do sistema sexagesimal.  São 60 braças de 2,2m = 132 m;

QUADRA – Medida de superfície, são 132m por 132m = 17.424 metros     quadrados.

QUADRA-DE-SESMARIA – Medida do sistema sexagesimal.  São 60 braças de frente por uma légua de fundo (ou 132m x 6.600m = 87Ha e 1.200m2)”.

QUADRILHA – Lote de quatro eguariços do mesmo sexo e pêlo.

QUARTEADA – Ato de cambiar, de trocar.

QUERÊNCIA – Lugar onde se gosta de viver;  se quer viver;  lugar do bem-querer.

QUERENDÃO – Macho que está se apaixonando por uma fêmea.

QUIBEBE – Pirão de abóbora.

QUINCHA – Cobertura com santa-fé, macega ou folhas de palmeiras.

QUIRELA – Porfia.

QUIRERA – Grão de cereal quebrado.

QUITANDA  - Guloseima salgada, feita e vendida no geral pela “quitandeira” (quem elabora).

QUITUTE – Guloseima doce, feita e vendida no geral pela “quituteira” (quem elabora).


  -   (53 verbetes)

RABADA – Prato típico gaúcho, feito na base do rabo de vacum.

RABANADA – Movimento brusco que se volta para a direção contrária.

RABÃO – De rabo cortado ou aparado, pitoco (não é o mesmo que suro).

RABEAR – Mudar de direção.

RABICANO – Designa animais que tem pêlos escuros, entremeados com pêlos brancos ou claros.

RABICHO – Apero da encilha que é colocado por baixo do rabo dos eguariços.

RABO-DE-TATÚ – Espécie de açoite.

RABONAR – Cortar o rabo.

RAFUAGE – Gente de baixa categoria.

RAÍDO – Grande cesta (balaio).

RAMADA – Cobertura tosca de um girau com ramas, para sombreamento ou “baile de ramada”.

RANCHO – Primeira habitação erguida no Continente de São Pedro, edificada com material que abundava no local (leiva, torrão, pedra ou pau-a-pique e barreado), coberto com quincha.

RASTRA – Espécie de cinto (sem algibeiras) – de origem castellana.

REALENGO – Sem dono – pertencente à coroa, ao Rei (por isso, também  reiúno).

REBENQUE – Espécie de açoite.

REBOLEIRA – Touceira de arbustos e galhos arbóreos.

RECHUNCHUDO – Gordo e sã de lombo.

RECULUTAR – Ajuntar recolhendo.

RÉDEA – Apero de couro  (torcido, trançado ou chato) preso às gambas do freio, que servem para governar os eguariços.

REDEIÚDO – Animal que tem uma ou mais juntas dos remos, inchados ou aumentados.

REINAÇO – Cio, regra menstrual;  a fêmea se sente Rainha (daí, reina) e não deseja ser incomodada.

REIUNO – Pertencente ao Rei;  à coroa.

RELANCINA – No repente.

RELHO – Espécie de açoite.

RELHADOR – Espécie de açoite exagerado.

RELINCHO – Som vocal dos eqüinos.

RELINCHÃO -  Vivente que dá risadas fortes em alto e bom som.

REMATE – Leilão de animais.

RENGO – Quadrúpede coxo  -  (pessoa claudica).

REPECHO – Subida íngreme.

REPIQUE – Nova enchente logo após a anterior.

RÊS – Animal vacum.

RESMUNGAR – Descontentamento (ou insatisfação) manifestado com rosno.

RESSABIADO – Arisco, em conseqüência de haver sido mal tratado.

RESSONGO – Ruído semelhante ao coachar de sapo, produzido no escorropichar o chimarrão (mate).

RESSOLANA – Lugar protegido e abrigado do vento, que se toma sol no inverno (bom para lagartear).

RESTINGA – Vegetação mixta nas margens de vertentes.

RETACO – Vivente de pequena estatura, porém, entroncado e forte.

RETOÇAR – Se faceirar e brincar pulando.

RETOVO – Cobertura com (pintura, couro ou metal) por sobre um corpo.

RETRUCO – Contrariar.

RINCÃO – Lugar isolado em fundo de campo.

RINHA – Briga, rixa.

RIOSCA – Briguinha.

ROCINAR – Completar a doma.

RODADA – Queda do animal com o ginete (campeiro  ou  domador).

RODEIO – Reunião para cuido, que se faz do gado.

RODILHAS – Côlhas (voltas) do apero (laço, sovéu ou outra corda), que juntam-se na mão que não vai atirar no animal a ser capturado.

ROLO – Briga, conflito.

RONCOLHO – Animal mal castrado, que tem só um testículo.

RONDA – Ação de vigilância.

ROSETA – Peça circular (dentada ou pontiaguda) da espora.

RUSGAR – Provocar briga.


  -   (43 verbetes)

SABUGO – A alma da espiga de milho.

SALADEIRO – Charqueada.

SALAMANCA – Caverna lendária localizada no Cerro do Jarau (Quaraí – RS).

SALSEIRO – Conflito, peleia de muitas pessoas – rixa.

SAMBURÁ – Pequeno balaio, para levar avios.

SAMPAR – Arremessar, atirar, lançar.

SANGA – Pequeno córrego, bossoroca.

SANGRADOURO – Local por onde se sangra um animal;  parte da carneada.

SANTA-FÉ – Planta, cujas folhas possuem bordas cortantes e que servem de quincha, para cobertura de rancho.

SARANDEAR – Bailar em voltas à frente do par.

SARAQUÁ – Cavadeira rústica, de pau com longo cabo.

SARRABALHO – Baile campestre  (variedade de Fandango).

SELIM – Sela própria para montaria feminina.

SERELEPE – Guri muito esperto e ágil.

SERENO – Orvalho.

SERIGAITA – Mulher conversadeira e trejeitosa.

SERIGOTE – Arreio de origem alemã (sehr gut = muito bom), usado pelos colonos dessa estirpe.

SESMARIA – Medida de superfície do sistema sexagesimal.  É uma légua (6.600m) de frente, por três léguas (19.800m) de frente a fundo  =  3 léguas quadradas (ou 150 quadras de sesmaria ou ainda 13.068 hectares).

SESMEIRO – Quem recebia a SESMARIA.

SESTEADA – Breve dormida para descanso após o almoço.

SETEMBRINA – Alcunha dada à cidade de Viamão - RGS, na época farroupilha.

SINA – Destino, sorte.

SINFRONAÇO – O mesmo que SOFRENAÇO = Puxão forte com as rédeas.

SINUELO – Um ou mais animais mansos que servem de guia à tropa.

SOCAVÃO – Perau  de difícil acesso.

SOFLAGRANTE – Momento e ocasião do flagrante.

SOFRENAÇO – O mesmo que sinfronaço. Puxão forte com as rédeas.

SOGA – Corda de sisal.

SOLAVANCO – Baque de carruagem;  balanço inesperado, sacudida.

SOLITO – Só e isolado.

SORRO – Cachorro selvagem do banhado.

SOTA-CAPATAZ – Terceira autoridade em um estabelecimento rural (Estância, Fazenda ou Grânja), de uma Tropa ou de uma Charqueada.

SOTRETA – Vivente tolo e covarde (vil e ruim), ordinário e velhaco.

SOVÉU – Apero torcido de couro cru, peludo (não tem ilhapa), que serve para capturar quadrúpedes.

SULAPÃO – Covanca.

SUMANTA – Surra.

SUMIDOR – Tremedal, pântano.

SUPETÃO – De imediato.

SURO – Sem rabo.

SURUBA – Namoro indecente e escandaloso.

SURUMBÁTICO – Tristonho.

SURUNGO – Baile de baixa categoria.

SUVINO – Pão-duro, mofino, avarento.


  -   (77 verbetes)

TABATINGA – Argila compacta, impermeável e imprópria para a agricultura.

TACO – Espécie de cacete.

TACURÚ – Cocuruto de terra.

TAFONAL – Xircal, brejal, lugar coberto por arbustos.

TAFONEIRO – Animal que só vira para um lado.

TAITA – Vivente valentão, destemido e guapo.

TALA – Nervura principal de algo.

TALHA – Cota de 50 unidades, que se marca numa tarca.

TALHO – Ferimento produzido por objeto cortante.

TALUDO – Menino já crescido, adolescente.

TAMBEIRO – Novilho criado em tambo e já em fase de adestramento.

TAMBO – Estábulo onde se ordenham as vacas.

TAMOEIRO – Corda torcida de couro crua e peluda, que serve para unir o cambão à canga.

TANGOLOMANGO – Infelicidade.

TAPEAR – Executar algum serviço mal feito.

TAPEJARA – Vaqueano(a) e conhecedor(a) de uma região.

TAPERA – Habitação abandonada e deserta.

TAPITCHI – Cria não nascida (nonata).

TARCA – Apetrecho de marcar contas.

TARECO – Objeto que já perdeu a sua utilidade.

TARIMBA – Cama rústica;  também designa  experiência.

TARUGO – Pino de madeira que serve para fixar duas peças.

TASTAVEAR – Tropeçar e quase cair.

TÁTA – Pai.

TAURA – Vivente que se pode recomendar.

TAVA – O osso do jogo-do-osso.

TCHÊ (pronúncia espanhola de CHE) – Significa amigo.
A filosofia de PROPÍCIO DA SILVEIRA MACHADO (Professor catedrático), autor do livro O GAÚCHO NA HISTÓRIA E NA LINGUAGEM (Ed. Laboremus pro Língua Nostra - 1966), pág. 76 - onde ele afirma que a palavra TCHÊ (portuguesa), é a pronúncia de CHE (em espanhol), que significa AMIGO (em Quíchua), que foi adotada pelo guarany.

TEATINO – Pessoa ou animal sem eira e nem beira, mal trapilho, que vive em extrema pobreza;  este vocábulo vem dos padres  monásticos  que faziam voto de pobreza, castidade e obediência – fundadores  da  Ordem Teatina.

TEBA – Vivente graúdo e valente, corajoso e destro.

TEMPRANO – Contemplando.

TENÊNCIA – Atenção.

TENTEAR – Aguardar.

TERERÊ – Chimarrão com água fria  -  mate paraguaio.

TERTÚLIA – Vocábulo de origem romana – trata-se das reuniões íntimas que o Imperador Tertuliano (de hábitos sodomitas) realizava nos porões do seu Palácio, para onde convidava seus “amigos íntimos” a banquetearem-se homenageando “baco” (deus do vinho), com bacanais de pederastia.
Hoje, erradamente, tradicionalistas desinformados aplicam a palavra TERTÚLIA, para designar reunião íntima, onde se cultiva a arte, a poesia, a trova e a música  -  isso deve ser denominado de PENHA Crioula. 

TESO – Firme.

TIÇÃO – Pedaço de lenha que está ardendo no fogo, ou que já foi queimado em parte.

TIGÜERA – Grota fechada de arbustos e árvores,

TIMBA – Lugar de acesso perigoso.

TIMBÓ – Espécie de cipó venenoso;  também designa mal súbito que provoca tontura e desmaio.

TINIDEIRA – Situação angustiosa pela falta de dinheiro.

TIRADOR – Avental de couro;  pilcha exclusiva de serviço.

TIRÃO – Golpe brusco e repentino.

TIRIRICA –  Planta do banhado, sem serventia.

TITUBEAR – Ficar em dúvidas;  vacilar.

TOCADA – Corrida (de lebre por cachorro – e de parelheiro, para cronometrar o tempo).

TOCAIA – Emboscada,  espreitada.

TOCAIO – Homônimo, xará.

TOLDERIA – Conjunto de habitações cobertas por toldas (barracas).

TOMBO – Queda.

TOPAR – Aceitar.

TOPETUDO – De topete elevado, garboso e valente.

TORUNO – Touro castrado.

TOSAR – Cortar ou aparar as crinas de eguariços.

TOSQUIAR – Deslanar caninos e caprinos.

TRABUCO – Antiga arma de fogo - revólver nagão (nagant) e revólver 44.

TRABUZANA – Destemido, valente, audaz e disposto.

TRAFUGUEIRO – Objeto estranho e cômico.

TRAGUEADO – Meio ébrio.

TRALHA – Aperos (correame) para atrelar eguariços em carros.

TRAMBOLHO – Algo exagerado e ineficaz.

TRAMPOSO – Intrometido e obstaculizador.

TRANCO – Andadura lenta dos eguariços.

TRADICIONALISTA – Adepto do tradicionalismo, sem ter um profundo conhecimento da “Tradição Gaúcha”.

TRADICIONÁRIO – Aquele que tem profundo conhecimento e vive a “Tradição Gaúcha”.

TRASTE – Objeto de uso pessoal.

TRONQUEIRA – Principal esteio de uma porteira.

TROPA – Coletivo de militares e de bovinos.

TROPILHA – Coletivo de cavalos.

TROTE – Andadura moderada dos eguariços.

TROVA – Espécie de desafio repentista, cantado e acompanhado musicalmente. 

TRUCO – Espécie de jogo de cartas, entre dois ou quatro parceiros.

TUPAMBAÉ – Coisa de Deus  (lavoura da comunidade).

TRUMBICO – Algo diminuto e insignificante.

TRUVISCADO – Quase bêbado.

TUBUNA – Variedade de abelhas silvestre que produz mel de má qualidade.

TURUMBAMA – Tumulto de briga.

TUZINA – Sova, tunda, surra bem dada.


U   -   (3 verbetes)

URCO – Enorme, grande, belo e forte.

URUPUCA (Arapuca ou Aripuca) – Gaiola para capturar aves e pássaros.

USTED – Você - termo castellano.


V   -   (14 verbetes)

VACARIA – Grande quantidade de vacas – local, que no tempo dos 18 aldeamentos jesuítas, o gado missioneiro foi ocultado e se tornou bagual, após a preada do bandeirante  Antônio Raposo Tavares (1636 / 41);  hoje, cidade gaúcha.

VAQUEANO – Prático e conhecedor do lugar.

VAREJÃO – Vara grossa e comprida para trancar porteiras de vara.

VASCA – Essa pilcha é dos VASCOS e não é “tradicional” no RGS, mas sim “evolucional”.  Chegou aos países platinos a partir da Guerra do Paraguai. 

VELHACO – Inconfiável.

VELHACAR – Corcovear e dar pinotes.

VENTANA – Vivente de má reputação.

VERTENTE – Lugar de onde verte água.

VINCHA – Tira de couro, cinta transada ou fita larga de pano, com o que se fixa a melena ou a gadelha, para que não caia nos olhos e ou, para que o suor não prejudique a visão.

VIVARACHO – Vivente vivaz e esperto.

VIVENTE – Indivíduo, criatura, pessoa.

VIZINDÁRIO – Os vizinhos, a vizinhança em geral.

VOLTEADA – Ato de percorrer o campo trazendo alguns (ou todos) animais.

VOZERIO – Muitas vozes, rumores de vozes humanas.
 

  -   (11 verbetes)

XALECO (ou Chaleco) – Pilcha semelhante a colete, porém, com gola e dois bolsos (ao invés de quatro).

XARÁ (ou Chará) – Tocaio.

XEPA – Comida.

XERENGA – Pequena faca ordinária.

XERETA -  Conversador e intrometido.

XERGÃO – Baixeiro apero de encilha que se coloca no lombo puro do animal.

XIMBÉ – Animal (ou pessoa) de nariz chato.

XIRÚ – Vivente amigo e companheiro;  é um vocábulo síntese da palavra CHE (amigo) e da palavra IRÚ (companheiro).

XOMICO – Interjeição que exprime desprezo apreensivo.

XUMBREGA – Algo de pouca importância.

XUCRO – Selvagem.


  -   (10 verbetes)

ZINTISTINOS – Intestinos.

ZÓIOS – Olhos.

ZOREIAS – Orelhas.

ZOSSOS – Ossos.
       
ZOVÁRIOS – Ovários.

ZOVOS – Ovos.

ZUNIR – Retinir.

ZURRAPA – Ordinário e de má qualidade.

ZURUMBÁTICO – Tonto, esquecido, abatido.

ZUVIDOS – Ouvidos.




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ARREMATE (epílogo)

Ao encerrar a porteira deste modesto e despretensioso trabalho, agradeço ao PAI CELESTE pela sabedoria que me foi dada e aos meus familiares pela força que me deram.

Sem mais delongas, aqui expresso o meu MUITO OBRIGADO.


OTÁVIO PEIXOTO DE MELO
O Maragato



F I M




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                                                                                                                                                    O autor













3 comentários:

  1. Bem tri teu blog gostei porque sou de Pelotas Rs e nao conheço bem nosso gauches porque não me interessava por nossas tradiçoes e cultura,só de uns anos pra ca que me interressei,atraves da musica,mas ainda fico voando em algumas coisas.vlw

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  2. Agradeço aos comentaristas acima. Obrigado, tchê !!!

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